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De volta a Edinburgo: Mostra São Paulo leva oito espetáculos ao Fringe
Por Bruno Palma Fernandes
Sou apaixonado por São Paulo. Sei que sou parcial — nasci e cresci aqui — mas vou tentar explicar por que este lugar é tão especial. Somos uma população de mais de 45 milhões, com pessoas de todo o Brasil e do mundo. Há uma multiplicidade de línguas, sotaques, histórias e visões de mundo. Temos praias, áreas rurais e a vibrante metrópole que é a própria cidade de São Paulo. É essa diversidade que cativa não só a mim, mas também aqueles que vivem aqui ou nos visitam. É realmente impressionante. A Mostra São Paulo retorna ao Festival Fringe de Edinburgo pelo segundo ano consecutivo, trazendo um programa com oito produções.
Essa iniciativa do Governo do Estado de São Paulo — por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústrias Criativas do Estado — oferece uma excelente oportunidade para nossos artistas de várias formas: eles apresentam seus trabalhos para públicos internacionais, obtêm novos aprendizados ao interagirem com companhias de outras partes do mundo e constroem redes fundamentais com curadores e programadores de grandes festivais e espaços artísticos, para citar apenas alguns dos benefícios. No entanto, o projeto também representa uma oportunidade para o público do Fringe se apaixonar por São Paulo. E esse é certamente um de nossos principais objetivos.
Naturalmente, a diversidade é a característica definidora da Mostra São Paulo em 2026. O corpo humano, por exemplo, é o foco central de espetáculos como o monólogo 116 Gramas: uma Peça para Emagrecer, a dança urbana contemporânea Border Bodies e o solo circense Vidrado. Embora o tema seja o mesmo, as perspectivas são bastante distintas; a esmagadora imposição dos padrões de beleza, as infinitas possibilidades reveladas na conexão humana e a constante busca por superar nossos próprios limites.
Espetáculos mais leves — como o onírico Circo Valise, no qual uma encantadora elefanta leva o público a um mundo de sonhos e imaginação — contrastam com montagens de maior peso. Estas incluem Whale Fall ou Canção para Dançar com Minha Morte, que aborda um dos maiores tabus da vida — a própria morte — e The Last Drop, uma performance em que a tensão e o humor ácido conduzem um enredo que explora temas como o crescimento caótico das grandes cidades e a vingança.
Também há espaço para a poesia em Um Milhão de Palavras, inspirado pelo poeta tcheco Rainer Maria Rilke (falecido há um século), assim como para futebol, samba e vida boêmia em Drible — uma exploração da beleza do jogo, ao lado das conexões históricas entre Brasil e Escócia. Charles Miller, filho de um escocês, trouxe uma bola de futebol e as regras do futebol para o Brasil; um jogo que hoje mexe profundamente com as paixões nacionais. (Não, não nos saímos muito bem na última Copa do Mundo. Mas continuamos sendo os únicos pentacampeões, e nos orgulhamos muito disso.)
Estou entusiasmado com nosso retorno a Edinburgo. Além de nossa terra natal, me apaixonei também por esta cidade, um lugar que realmente vive e respira cultura. Também é importante lembrar que nada disso seria possível sem a talentosa equipe de profissionais da APAA e a ajuda de pessoas excepcionalmente generosas — como Ellinor Firstorp, Coordenadora de Engajamento Internacional do Fringe — e representantes de outras mostras, notadamente Jih Wen, responsável pela brilhante Temporada de Taiwan. Tenho certeza de que será um festival maravilhoso e que São Paulo conquistará os corações do público. Vejo vocês no Assembly, Dance Base, Pleasance, Summerhall, St. Cuthbert’s Church, Underbelly ou Zoo. Por fim, como dizemos por aqui: merda!
Crédito da foto: Adriano Escanhuela
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