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Quase duas décadas depois de Joey Arias e Basil Twist terem lançado alienígenas, bonecos, uma viagem lisérgica e um final inspirado em Busby Berkeley no centro de Nova York, ARIAS WITH A TWIST está voltando para casa, no HERE Arts Center, em Hudson Square (Lower Manhattan).
No entanto, antes de Arias voltar a pisar naquele palco intimista, ele precisava se reconectar com Nova York de uma forma particularmente visceral. Então, ele foi para Coney Island e andou três vezes na Cyclone. “A Cyclone ia me sacudir e me dar aquele poder que é a essência de Nova York”, explica Arias. “A montanha-russa de 100 anos, feita de madeira, me ofereceu toda sua potência porque eu estava criando algo parecido. Agora, vou estar no palco com madeira e coisas que vão me mexer e me dar o mesmo poder que Basil [Twist] vai colocar em cena.”
Esse choque parece apropriado para remontar ARIAS WITH A TWIST, pois tanto Arias quanto Twist estão perguntando o que poderia acontecer se eles, mais uma vez, combinassem seus mundos artísticos sem restrições.
Quase 20 anos atrás, ARIAS WITH A TWIST surgiu quando Arias havia acabado de voltar de uma temporada como estrela do ZUMANITY, do Cirque du Soleil. Twist procurou Arias para ocupar um espaço de três semanas na programação do HERE. “Eu sou fã do Basil há muitos anos”, lembra Arias. Depois de anos sonhando em participar de um espetáculo de Twist, quando este perguntou o que ele queria criar, Arias teve uma resposta imediata. “Quero ser abduzido por alienígenas. Quero fazer uma viagem lisérgica e ter um grande final ao estilo Busby Berkeley com um bolo gigante cheio de milhões de pernas.”
O resultado foi o agora icônico ARIAS WITH A TWIST, que estreou no HERE em 2008. O espetáculo recebeu críticas entusiásticas e foi adorado pelo público por ser uma fusão de cabaré, manipulação de bonecos, música, arte performática e espetáculo visual. Chegou até a ser indicado ao Drama Desk e ao GLAAD Media Awards e acabou fazendo turnê nacional e internacional.
“Queríamos simplesmente apresentar algo que fosse o melhor de Basil e o melhor de Joey, e retribuir a Nova York com o que é a arte feita à mão”, diz Arias sobre a produção de 2008. No entanto, eles não podiam prever o que viria a seguir. “Nem diria que foi um fenômeno do centro da cidade, foi um fenômeno de Nova York”, lembra Arias. “Toda Broadway veio ao show. Hollywood inteira veio ao show. E estrelas pop também.”
Foto de Steven Menendez.
Agora, ARIAS WITH A TWIST está retornando ao Dorothy B Williams Theatre no HERE Arts Center, com apresentações programadas de 17 de setembro a 1º de novembro de 2026. Para Arias, a natureza artesanal do espetáculo pode torná-lo ainda mais relevante em 2026. “O timing é perfeito porque hoje tudo é tão AI, tudo é superproduzido, tudo envolve milhões e milhões de dólares, e aqui está este espetáculo feito à mão”, afirma. “Aqui tudo é canto de verdade. Tudo é físico.”
E físico ele certamente é. Arias passa grande parte do espetáculo em saltos de quinze centímetros, com espartilho, cantando aproximadamente 15 músicas enquanto o universo de Twist se transforma ao seu redor continuamente. Os cenários mudam a cada poucos minutos e, em um momento, Arias encontra-se flutuando pelo ar durante a jornada psicodélica do show. “Você se dobra, se vira, está para baixo, está para cima”, comenta Arias sobre seu tempo no palco. “O cenário muda a cada dois minutos bem diante dos seus olhos. É realmente impressionante.”
Para Arias, isso oferece ao público algo além do escapismo. “Você tem que deixar as pessoas sonharem que elas podem sair por aí e fazer as coisas acontecerem. Dá para fazer funcionar. Você não precisa de milhões de dólares. Só precisa de um sonho, um pedaço de papel, uma tesoura e começar a fazer.”
ARIAS WITH A TWIST também traz uma dose única e concentrada do próprio Arias. “É sexy, é provocativo, é imaginativo e é uma lição de aprendizado”, ele afirma. “Ultrapassa limites porque às vezes é um pouco travesso, mas também mantém a autenticidade. Você tem que manter a autenticidade.”
No centro da peça está Arias interagindo com as criações fantásticas de Twist. Para Arias, porém, esses bonecos jamais são meros objetos. “Quando estou no palco com eles, eles são meus amigos. Isso é real”, explica. “Tudo tem alma. Até a selva, até os alienígenas, cada coisinha do show para mim é real.”
Essa relação é possível graças à confiança artística entre Arias e Twist. “Eu o respeito, ele me respeita, e unimos forças”, destaca Arias. “Você não cresce a não ser que arrisque.”
Foto de Steven Menendez.
Retornar a essa obra também deu a Arias uma oportunidade de descobrir como ele e o material mudaram. Talvez a maior diferença seja ele próprio. Em 2017, Arias enfrentava problemas com abuso de substâncias quando sua amiga Kim Hastreiter organizou uma intervenção. Arias entrou em desintoxicação e permanece sóbrio desde então. Ele fala sobre essa experiência com sinceridade, explicando que já queria desesperadamente largar antes.
“Eu queria parar. Pensei, ‘Isso não dá. Eu não consigo mais’”, compartilha. “Você tem que realmente querer voltar a ser quem você era.”
Para Arias, a sobriedade foi mais do que a ausência de substâncias da sua vida. Foi reencontrar a experiência plena da vida. Ele queria “sentir tudo que acontece no meu corpo” novamente.
Isso torna o retorno a uma obra física e emocionalmente exigente que ele criou antes da sobriedade especialmente significativo. “As palavras agora ressoam diferente do que antes. É quase como se o que escrevi tivesse sido um prenúncio do que está acontecendo agora”, comenta. “E estando sóbrio, eu digo as coisas de outra maneira e canto um pouco diferente.”
Mais importante, ele acrescenta: “É bom estar em casa.”
Essa casa é incrivelmente íntima. No HERE, há pouca distância separando Arias das pessoas que o assistem. “O público vai estar bem ali, literalmente bem na minha frente”, admite. “Não tem três pés de espaço atrás. É literalmente como se você estendesse o pé, eu poderia tropeçar.”
Esse retorno à casa também oferece a oportunidade de apresentar a arte de Arias e Twist a audiências que conhecem a lendária cena do centro de Nova York principalmente por fotos, livros, redes sociais e músicas como o recente hit de Madonna “Danceteria.”
“Porque eu estou vivo, Basil está vivo, estamos vivos, o palco está vivo. Por que não vir, aprender e se inspirar de verdade?”, pergunta Arias. “É sobre incendiar a nova geração para que eles larguem os malditos celulares.” Arias acredita que os artistas mais jovens já têm fome de compreender o mundo criativo que gerou figuras como Keith Haring, Kenny Scharf, Klaus Nomi e o próprio Arias. ARIAS WITH A TWIST lhes dá uma oportunidade não só de estudar essa história, mas de encontrar alguns dos seus criadores pessoalmente.
Foto de Steven Menendez.
Para Arias, a produção não é somente uma questão de nostalgia. É a prova de que o espírito artístico aventureiro de Nova York continua vivo. “Sim, o centro está vivo. O vanguardismo está agora em alerta e em plena floração”, declara.
Por fim, Arias espera que essa remontagem seja sentida como uma gratidão tangível. “É basicamente um grande ‘Obrigado’ e uma grande carta de amor para Nova York”, afirma. “Eles chamam de New York porque é sempre novo e as coisas se renovam, mas estamos aqui. Estamos aqui para servir, para mostrar que ainda estamos vivos, e estamos fazendo isso agora e melhor do que nunca.”
A remontagem de ARIAS WITH A TWIST começa as apresentações em 17 de setembro e vai até 1º de novembro de 2026 no Off-Off-Broadway Dorothy B Williams Theatre no HERE Arts Center (145 6th Avenue, New York). Ingressos e informações adicionais estão disponíveis em www.HERE.org.