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EDIMBURGO 2026: ENTREVISTA SOBRE ADDING UP AMERICA

Adding Up America decorre de 5 a 31 de agosto

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EDIMBURGO 2026: ENTREVISTA SOBRE ADDING UP AMERICA

A BWW conversou com a escritora e intérprete Monique DeBose para falar sobre levar Adding Up America ao Festival Fringe de Edimburgo 2026.

Conte-nos um pouco sobre Adding Up America

É um espetáculo solo sobre raça, identidade e os cálculos que fazemos para sobreviver, mas não da forma que se possa esperar. Cresci sendo mestiça na América — pai negro do Sul segregado e mãe branca irlandesa católica do norte do Estado de Nova Iorque — e desde muito pequena, tudo no meu mundo era preto ou branco. Tornei-me matemática porque os números faziam sentido para mim de um modo que as pessoas não conseguiam. Um mais um é sempre dois. Não se pode discutir isso. Descobri que raça não funciona assim, mas a América continua tentando que funcione.

Então, coloquei as equações num quadro. As verdadeiras. As que corri a vida toda para entender onde eu pertencia, em que mundo eu estava segura, qual versão de mim era necessária em cada espaço. Mostro ao público meu processo, o processo real, não a versão que me faz parecer bem. É engraçado. Vai a lugares profundos. E as pessoas saem sentindo algo que não esperavam sentir ao entrar.

Quais são os desafios de apresentar e interpretar uma história tão pessoal?

O desafio é que não se pode fazer algo pela metade. Nunca. Num espetáculo pessoal, não há onde se esconder. O público percebe imediatamente se você não está totalmente presente porque está perto o suficiente para ver seus olhos. A cada apresentação, você precisa estar disposto a voltar aos lugares que lhe custaram algo, e sentir isso de verdade toda vez.

Também há o desafio da proporção, saber a diferença entre ser vulnerável e ser autoindulgente. Estou contando minha história, mas não a conto para mim. Conto para que alguém naquela sala possa respirar aliviado e pensar: 'ah, não sou o único que sentiu isso'. No momento em que isso se tornar sobre minha catarse e não sobre o reconhecimento deles, perdi o fio da meada.

E há o desafio específico deste material. Digo coisas neste espetáculo que passei décadas com medo de falar. Sobre raça, sobre escolhas de que não me orgulho, sobre as formas que usei identidades de outras pessoas para navegar na minha própria segurança. Isso exige um tipo particular de coragem todos os dias. Faço trabalho de perdão durante toda a temporada — não porque esteja sendo dura comigo mesma, mas porque manter a abertura necessária para contar a verdade exige manutenção constante.

Quão importante é a música na peça?

Ela não é decoração. Isso é o mais importante que posso dizer sobre ela. As canções não se apoiam na história, elas estão dentro dela, fazendo um trabalho que só a palavra falada não consegue.

Existem momentos neste espetáculo em que levo o público para um lugar muito específico e real, e a única resposta honesta é a música. Não um discurso, não uma explicação, uma canção. Porque certas coisas só podem ser plenamente expressas assim. A música capta o que as palavras deixam escapar.

Sou cantora e compositora antes de tudo. Tenho interpretado música original internacionalmente há anos. Quando componho uma canção para este espetáculo, não é uma música teatral criada para servir a uma cena, é uma canção verdadeira que, por acaso, está dentro de uma história. Acredito que o público sente essa diferença, mesmo que não consiga nomeá-la. É isso que busco.

O que o diferencia de outros espetáculos do festival?

Algumas coisas, honestamente.

Primeiro, o recurso matemático não é uma metáfora usada apenas pelo efeito. Estudei matemática na UC Berkeley. Quando coloco uma equação naquele quadro, realmente sei o que ela significa e o público sente a diferença entre alguém que usa a matemática como um conceito teatral inteligente e alguém para quem os números são uma língua nativa. Essa especificidade muda tudo.

Segundo, a maioria dos espetáculos sobre raça pede que você presencie algo. Este espetáculo pede que você reconheça algo. Há uma diferença entre assistir ao desafio de outra pessoa e estar numa sala onde a história toca algo em sua própria vida. Não estou lá para ser vítima de nada. Estou lá mostrando meu processo, incluindo os momentos em que eu mesma era o problema. Esse tipo de honestidade é mais raro do que deveria ser.

E terceiro, sou uma mulher americana que acabou de se mudar para Londres, apresentando um espetáculo sobre a América, em Edimburgo, agora. O timing e a perspectiva não são acidentais. A América vista daqui é muito diferente. E acho que o público britânico vai se reconhecer nessa história mais do que imagina.

O que você gostaria que o público levasse da experiência?

Permissão. Permissão para ser complicado. Permissão para ter cometido erros. Permissão para olhar honestamente para os cálculos que vêm fazendo em suas vidas sobre raça, pertencimento, quem escolheram ser e por quê, e decidir que querem fazer diferentes daqui para frente.

Não quero que as pessoas saiam tendo assistido apenas à minha história. Quero que saiam tendo lembrado da delas.

O espetáculo termina com uma pergunta, não uma resposta, porque acredito que essa é a coisa mais honesta que posso oferecer. Se começar uma conversa que de outra forma não teria acontecido, isso já é tudo para mim. Se começar cem, esse é o objetivo principal.

Adding Up America decorre de 5 a 31 de agosto

Crédito da foto: Ki Price

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