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A produção televisiva de 1997 de Cinderela, de Rodgers & Hammerstein, é um dos eventos musicais mais adorados das últimas três décadas. O que ela não tem — e nunca teve — é um álbum de trilha sonora.
Em uma nova reportagem, a Vanity Fair foi atrás da equipe criativa por trás do filme para responder a uma pergunta que os fãs fazem desde a transmissão: por que ninguém pode comprar, fazer streaming ou baixar a gravação do elenco de Cinderela? A resposta, segundo os produtores que conversaram com a revista, envolve duas gravadoras rivais, um impasse que dura décadas e um álbum que os próprios produtores dizem estar terminado e guardado em um cofre.
O álbum foi gravado em menos de dois dias na Capitol Records, com o saudoso Arif Mardin — uma lenda da Atlantic Records que trabalhou com Aretha Franklin e Bee Gees — produzindo o material de Whitney Houston, enquanto o chefe da música da Disney, Chris Montan, supervisionava Brandy Norwood, prestes a se tornar a primeira atriz negra a interpretar Cinderela na tela.
As sessões produziram versões completas de estúdio de números como "In My Own Little Corner", o dueto Houston–Norwood "Impossible; It's Possible" e a música da Família Malvada "Falling in Love With Love", interpretada por Bernadette Peters, Natalie Desselle Reid e Veanne Cox. O elenco também contou com Whoopi Goldberg e Victor Garber como Rainha e Rei, e Paolo Montalban como o Príncipe.
A questão é a seguinte. Houston estava contratada pela Arista Records de Clive Davis. Brandy estava contratada pela Atlantic, que a promovia como uma estrela mainstream do R&B após seu álbum de estreia platina. Segundo os produtores, a Atlantic concluiu que um álbum de musical da Era de Ouro prejudicaria essa imagem — e recusou-se a participar.
"O medo, que acabou com o álbum, era a Atlantic sentir que isso destruiria a credibilidade da Brandy", disse o produtor Neil Meron à Vanity Fair.
A produtora Debra Martin Chase — a primeira mulher negra a conseguir um contrato de produção em um grande estúdio — descreveu anos insistindo com a Atlantic sem sucesso, e disse que Davis eventualmente ofereceu que uma gravadora rival lançasse o disco para que ele não desaparecesse. A Atlantic, segundo ela, continuou dizendo não. Seu veredito sobre a decisão: "Em retrospecto, tão míope, não é?"
O filme, por sua vez, tornou-se um fenômeno — 60 milhões de espectadores em 2 de novembro de 1997, e mais de dois milhões de cópias em VHS vendidas até 1999, tornando-se o vídeo caseiro mais vendido de qualquer filme feito para TV.
O falecido Craig Zadan, que produziu o filme junto com Meron e Chase, disse em entrevista anterior que o álbum desaparecido foi o maior desgosto da carreira de Houston — uma afirmação confirmada por Pat Houston, ex-empresária da cantora e administradora de seu espólio, à Vanity Fair. Lançá-lo, disse ela numa declaração à revista, "celebraria não apenas a voz [de Whitney], mas sua visão."
A reportagem também identifica uma complicação recente: nos anos 2020, pelo menos três gravadoras teriam que aprovar, e Meron disse à Vanity Fair que foi informado de que a Hollywood Records da Disney agora é o entrave. Uma fonte próxima à Disney disse à revista que o Disney Music Group jamais deteve os direitos ou as gravações originais do álbum, e que ele não está guardado em um cofre da Disney. Uma tentativa em 2022, por ocasião do 25º aniversário do filme, também parou.
Há uma nova voz nessa história, vinda do mundo teatral. A Concord adquiriu a Rodgers & Hammerstein Organization em 2017, e Imogen Lloyd Webber, vice-presidente-executiva da Concord Theatricals, que supervisiona a marca R&H, disse à Vanity Fair que a empresa está pronta para ajudar — afirmando que a Concord "está pronta para apoiar a Hollywood Records, nossos parceiros na Disney e todos os envolvidos neste projeto para finalmente lançar a trilha sonora."
Meron, por sua vez, afirma que o álbum acabado existe e que ele pessoalmente tem uma cópia, a qual já repassou à Concord. Cinderela fará 30 anos em 2 de novembro de 2027.