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Em um momento, em junho de 1939, a ‘Relação Especial’ entre UK e EUA foi definida pelo Rei comendo cachorros-quentes no gramado do presidente. O Rei George VI e a futura Rainha Mãe podem não ter convencido o Presidente Franklin D. Roosevelt a prometer à Grã-Bretanha sua lealdade na iminente guerra na Europa, mas sua visita de estado – a primeira de um monarca britânico nos EUA – proporcionou um modelo de amizade transatlântica a ser imitado por décadas.
Essa peça – baseada no filme Hyde Park on Hudson, mas com um foco mais estreito na visita de estado ao invés da vida mais ampla de Roosevelt – ganhou destaque brevemente em fevereiro, quando Stanley Tucci, originalmente programado para fazer sua estreia na direção em Londres, desistiu devido a um conflito de agenda. O escritor Richard Nelson assumiu a direção e criou um retrato intimista de duas famílias em um momento decisivo.
A visão de Nelson do patrimônio de Springwood, da família Roosevelt, em Nova Iorque, é íntima, com a encenação que nos insere diretamente na sala de estar deles. Luzes repentinamente diminuídas e acordes musicais altissonantes conferem a sensação de transições entre episódios de uma sitcom, enquanto cada cena revela uma nova informação sobre essas pessoas poderosas e seus problemas reconfortantemente mundanos. Aqui, o foco está no complicado casamento aberto dos Roosevelts, e no casal real (Andrew Havill e Rebecca Night) como hóspedes perplexos, desesperados para não interpretar mal um sinal social.
Essa abordagem é possivelmente um pouco doméstica demais para realmente dizer algo profundo sobre o que significa ser britânico, ou ser americano, ou como um interage com o outro. O Rei (chamado de ‘Bertie’) e sua esposa Elizabeth caem em esterótipos, bebendo chá e lutando sob o peso de deveres que nunca pediram. A questão do irmão de Bertie, o ex-Edward VIII, e sua amizade com Hitler é abordada, mas nunca explorada tanto quanto se poderia esperar.
Enquanto isso, Eleanor Roosevelt – tão celebrada por sua astúcia, e interpretada com um cansaço mundo por Jemma Redgrave – aponta a tendência americana à sinceridade e desconfiança do esnobismo inglês, todo um terreno bem conhecido. Qualquer coisa que possa oferecer uma perspectiva mais sutil sobre o tema dos britânicos na América, como a referência ocasional ao desprezo de imigrantes irlandeses e de outros europeus pela família real, é rapidamente passada.
Onde Springwood se destaca, no entanto, é nos detalhes. Há uma piada recorrente sobre as paredes em Springwood serem finas, e às vezes nos sentimos como testemunhas de uma reunião familiar estranha, onde todos estão um pouco mais expostos do que gostariam. Esta peça está menos interessada em política global do que na sensação constrangedora de ser perguntado “fale sobre você”, ou na relação insegura que surge entre as mulheres ao redor do presidente (incluindo sua esposa, mãe e tímida nova amante).
No centro deste drama profundamente humano está Robert Lindsay como FDR, em uma performance que equilibra força e vulnerabilidade – você nunca sabe exatamente o que é um gesto genuíno de amizade e o que é um jogo político. Quando Bertie e FDR se aproximam da amizade, é sua experiência compartilhada de deficiência que os une – o Rei tem sua famosa dificuldade de fala, e o presidente esconde parcialmente sua poliomielite do público – ao invés de uma grande união ideológica.
Para um público em 2026, enquanto a Relação Especial se fragmenta em meio a conflitos contínuos no Irã, há um elemento de nostalgia aconchegante aqui por uma abordagem mais simples à diplomacia. Pode parecer errado que alianças políticas tão importantes sejam formadas por olhares não ditos em salas de estar, mas esse tipo de transação realmente fornece um excelente material para o drama familiar.
Springwood está em cartaz no Teatro Hampstead até 25 de julho
Créditos das fotos: Manuel Harlan