BWW Review: PETER PAN, O MUSICAL Takes Flight at Teatro Alfa, in Sao Paulo

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BWW Review: PETER PAN, O MUSICAL Takes Flight at Teatro Alfa, in Sao PauloWho has never dreamed of imprisoning time, being eternally a child? The desires of Peter Pan populate the collective unconscious and follow as one of the great longings of humanity. No wonder, the fable of the boy who refused to grow up, created by J. M. Berrie, is more and more current. This classic became a reference in literature, in the cinema and also in the theater. The Broadway version of 'Peter Pan' will finally win a Brazilian staging, with Mateus Ribeiro in the title role and Daniel Boaventura as Captain Hook. The show directed by José Possi Neto and choreographed by Alonso Barros, premiered on March 8, at Teatro Alfa, in a production of Touché Entertainment and coproduction of Daniel Boaventura.

BWW Review: PETER PAN, O MUSICAL Takes Flight at Teatro Alfa, in Sao Paulo
Mateus Ribeiro as Peter Pan
photo by: Leo Aversa

Um curioso subgênero do teatro da Broadway é o musical infantil. Desde o começo dos musicais, contos de fadas e fábulas eram usados como base para enredos, e já em 1881, os nova-iorquinos tiveram sua primeira "diversão para toda a família" com Cinderella at School. O clássico Robin Hood com sua "O Promise, Me" - canção que se tornou standard - divertiu plateias por décadas após sua estreia em 1891, e outros shows baseados em contos originariamente de fadas incluíram Aladdin, Jr. (1895), João e o Pé de Feijão (1897), Mamãe Gansa (1899), Chapeuzinho Vermelho (1900) e A Bela Adormecida e a Fera (1902), todos produzidos na Broadway por volta da virada do século XIX para o XX. Um dos maiores shows de contos de fadas dentre todos (embora o enredo fosse original) é o clássico de Victor Herbert e Glen MacDonough Babes in Toyland (Era Uma Vez Dois Valentes no cinema, em produção de 1934, com o Gordo e o Magro). O grande sucesso deste show levaria a uma onda de musicais baseados em contos de fadas durante a próxima década.

Estes musicais dividiam uma coisa em comum: eram todos escritos pensando no público adulto e as crianças que iam junto eram um bônus adicional. Em tempos mais modernos, shows como Annie e Merlin, de Doug Henning, ambos de 1983, eram orientados para o mercado infanto-juvenil. A Year with Frog and Toad, de 2002, da Children's Theater of Mineapolis, foi especialmente concebido para crianças, embora os adultos que as acompanhassem ficassem igualmente encantados. A qualidade do show, entretanto, não garantiu seu sucesso; com um ingresso custando 100 dólares (o que hoje seriam uns U$150,oo ou mais), as famílias ficavam compreensivelmente relutantes em gastar cerca de 500 dólares em uma noite no teatro para uma família de quatro pessoas.

Hoje em dia temos a sorte em contar com os musicais da Disney como O Rei Leão (1997) e A Bela e a Fera (1995) trazendo milhares de novos frequentadores ao teatro. Expondo as crianças ao teatro numa idade jovem, e fazer disso um hábito é de extrema importância se quisermos cultivar novas plateias. Todos que se divertem e apreciam o teatro se lembrarão do quanto ficaram encantados na sua primeira vez numa apresentação ao vivo, seja um show de marionetes, uma peça escolar, ou mesmo um musical da Broadway. De todas as formas modernas de arte, o teatro requer a maior suspensão voluntária da descrença e, assim sendo, crianças, com sensação ilimitada de encantamento e imaginação, podem ser as mais sensíveis à mágica do teatro.

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Mateus Ribeiro (as Peter Pan) and Daniel Boaventura (as Captain Hook)
photo by: Leo Aversa

Isso, de forma indireta, nos leva a Peter Pan, a peça escrita em 1904 por J.M. Barrie, que se tornou parte integral do teatro inglês e americano. A primeira atriz a interpretar Peter (até 1952, numa produção alemã, ele quase sempre foi feito por uma atriz) foi Nina Boucicault, irmã do grande dramaturgo Dion Boucicault (que também servia como diretor), enquanto que o Peter americano mais famoso foi Maude Adams. Para muito dos americanos e amantes do teatro musical, entretanto, sempre haverá apenas um Peter Pan que é Mary Martin (que viveu alguns anos num sítio em Goiás e era a mãe de Larry Hagman, o JR de Dallas e o Major Nelson, de Jeannie é Um Gênio). Transmitido ao vivo pela NBC, pela primeira vez em 1955, logo se tornaria um evento anual, uma verdadeira lenda, com oito novas apresentações durante as próximas décadas. Surpreendentemente, o Peter Pan de Mary Martin que ficou mais conhecido surgiu por causa de uma versão totalmente diferente.

Uma adaptação anterior muito sem brilho foi iniciada por Leonard Bernstein, estrelando Jean Arthur e Boris Karloff, e Jerome Robbins pronto para dirigir. Quando Bernstein deixou o projeto após produzir somente cinco canções (escrevendo tanto as letras quanto a música), Robbins viu o projeto se tornar mais uma peça do que um musical e também o abandonou. Exceto por estudantes de Bernstein, realmente ninguém hoje em dia se interessa por esta obra. Após a versão "peça com músicas" de Jean Arthur encerrar as apresentações, Robbins sentiu que era a hora certa para o musical que ele havia imaginado durante muito tempo. A dupla de compositores Morris "Moose" Charlap e Carolyn Leigh foi contratada para escrever as canções, com os compositores Nancy Hamilton e Morgan Lewis, e Tom Adair também contribuindo. Há ainda certas canções de Trude Rittman e música ocasional de Elmer Bernstein (todas as quais sendo eventualmente cortadas).

Quando o musical sofreu problemas durante os tryouts em Los Angeles, Robbins trouxe Jule Styne, Betty Comden e Adolph Green, para complementar o score de Charlap/Leigh.

Certamente isto fez a diferença e Peter Pan foi para Nova York em ótima forma, com Martin e Cyrill Ritchard como um Capitão Gancho almofadinha e afetado, encantando todo o público. Tanto Martin quanto Ritchard venceram o Prêmio Tony de Melhor Atriz e Melhor Ator Coadjuvante, respectivamente. Jule Styne teria dito: "Eis um musical onde você tem duas grandes estrelas e elas nunca cantam juntas. Isto é espantoso".

O resultado pode não ter sido o mais fiel à obra de Barrie, mas com Martin estrelando e o diretor Jerome Robbins no comando, era irresistível. A produção só teve 152 apresentações, e nunca houve uma intenção de ficar muito tempo em cartaz, mas sim servir como plataforma de lançamento para a primeira transmissão televisiva de um musical da Broadway. A versão de Jean Arthur já tinha sido um enorme sucesso apenas alguns anos antes.

Subsequentemente, o musical tornou-se primordial no teatro americano, com remontagens bem sucedidas na Broadway, estrelando as extraordinárias Sandy Duncan, e mais tarde, Cathy Rigby (ex-ginasta artística olímpica que se saiu muito bem como cantora, e demonstrando ser uma voadora de primeira ordem).

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Bianca Tadini (as Wendy) and Mateus Ribeiro (as Peter Pan)
photo by: Leo Aversa

A história sobre o menino da juventude eterna que nunca queria crescer tem sido a favorita seja nos palcos, nas telas ou de forma impressa por mais de um século. E é com o título de Peter Pan - O Musical que no último dia 8 de março, estreou no Brasil este show. Dirigido com entusiasmo por José Possi Neto temos aqui uma produção extraordinária da Touché Entretenimento, que vem deleitando adultos e crianças, no Teatro Alfa, em São Paulo. Tudo, desde a ação até o diálogo, da parte técnica aos efeitos especiais é mostrado à plateia de forma maior que a vida! E apesar de feito sob medida para crianças, os adultos irão apreciar este clássico que nos traz de volta reminiscências do passado, da infância e da imaginação.

O conjunto é visualmente deslumbrante, como se um conto de fadas ganhasse vida em grande escala. Iniciando com um belo cenário pós-vitoriano do quarto das crianças, que abre sua janela acenando para um mundo além "até a segunda estrela à direita e então indo direto até o amanhecer", a cargo de Renato Theobaldo e Beto Rolnik, onde a fantasia e o inesperado nos aguardam, e indo até à Terra do Nunca, parecem ter sido tirados das ilustrações de um livro infantil eduardiano, principalmente o navio pirata e a árvore que serve de abrigo para os garotos perdidos. Os figurinos alegres e coloridos de Thanara Shonardie completam com muita harmonia o quadro. Os efeitos especiais e de projeção a cargo da Maze FX são muito bem proporcionados, mas o aspecto voador do show sob responsabilidade da ZFX Flying Effects o torna ainda mais mágico e indelevelmente convincente. A fomidável iluminação de José Possi Neto e o alinhado design de som por Gabriel D'Angelo ajudam a atingir o encantamento.

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Peter Pan and the Lost Boys
photo by: Leo Aversa

As crianças Darling levantam vôo até à fantástica Terra do Nunca, onde conhecem um bando de crianças chamadas de Meninos Perdidos. Lá dançam com uma tribo de nativos norte-americanos, liderados por Tiger Lilly e piratas nefastos inclinados a vingar o Capitão Gancho desde a perda de sua mão, o que, por conseguinte, Peter Pan foi culpado.

Nesta montagem, diferentemente da tradição, o papel principal não é feito por uma mulher adulta e sim pelo jovem Mateus Ribeiro, cheio de carisma e charme. Ele se mostra um ator multitalentoso, e vai às alturas dançando, sapateando, atuando e cantando com perfeição, nos oferecendo um Peter Pan inesquecível. E ele pode voar, com a ajuda de uma fada muito esperta e mágica, a Sininho, que em determinado momento da peça nos reserva uma boa surpresa! Atraídos pela infância perpétua de um menino que se recusa a crescer, Wendy, João e Miguel se juntam a ele na Terra do Nunca, onde Wendy assume seus instintos maternos e passa a ser a mãe dos Meninos Perdidos. No papel de Wendy temos Bianca Tadini adorável, que dá credibilidade ao fazer uma menina de doze anos, exibindo uma voz angélica e amável com timbre muito rico. É de Bianca, juntamente com Luciano Andrey, a acertada versão brasileira das canções e diálogos do musical.

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Pedro Navarro (as Smee) and Daniel Boaventura (as Captain Hook)
photo by: Leo Aversa

O vilanesco, intriguista e mau-caráter Capitão Gancho, interpretado por Daniel Boaventura (coprodutor do show), retrata perfeitamente o pirata dândi e canastrão, com um timing de comédia fluído juntamente com um bando de marujos desajustados e desleixados, onde destacamos a atuação de Pedro Navarro, como Smee. Ele rouba o show a cada cena em que aparece fazendo o marujo pateta e subserviente. Ele literalmente deita e rola no papel. A química dele com Boaventura é notável. A impressão que temos é que os dois improvisam a cada encenação, nos fazendo ter vontade de assisti-los novamente só para ver o que é que eles "vão aprontar desta vez"! Boaventura também faz o Sr. Darling, o pai das crianças, e sua companheira na vida real, Maria Netto (também responsável pela certeira produção de elenco) a Sra. Darling, fazendo dela a figura da mãe por excelência com elegância e equilíbrio no palco. Destaque também para Carol Botelho, no papel da indiazinha Tiger Lilly, ótima e potente dançarina, que está entre um dos grandes prazeres de se assistir o show.

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The Uga Uga (Ugg-a-Wugg/The Pow Wow Polka) number
photo by: Mare Martin

Porém o que tornará este show histórico é a coreografia divisora de águas no teatro musical brasileiro de Alonso Barros, em particular no número Uga Uga (Ugg-a-Wugg/The Pow Wow Polka). São seis minutos e quarenta e cinco segundos de uma coreografia original, inventiva, cheia de vigor e energia, algo nunca antes visto nos palcos daqui. Para tanto houve um processo de criação do regente e diretor musical Carlos Bauzys, Alonso e do baterista Kiko Andrioli, que foram montando a coreografia durante os ensaios, sendo a partitura original praticamente recriada. Cerca de cem compassos foram acrescidos, com novos ritmos, sons e arranjos, só aproveitando dela o início cantado.

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Mateus Ribeiro (as Peter Pan) and Carol Botelho (as Tiger Lilly)
photo by: Leo Aversa

Segundo Bauzys "o Alonso ia criando a coreografia e eu ia criando a bateria junto com ele e o Kiko, e as percussões que o ensemble faz com as baquetas (e o sapateado) também. A gente ia treinando, dando alguns ritmos para eles, e assim foi sendo montado. Depois quando volta a orquestra no final, o que se ouve também é criação nossa, bem diferente da partitura original, terminando mais para cima, bem up".

Devido a orquestração original da Broadway ser antiga foi feita uma atualização e uma redução de 27 para 16 músicos, o que ainda é grande para os dias de hoje. Foram feitas várias alterações com adição de alguns underscores, muitas mudanças de tons, já que na montagem original, como já dissemos, Peter Pan era um papel feminino. E o resultado é um som de primeira, contagiante e alegre.

O musical é pura magia, e não só por causa da Fada Sininho ou do pó de pirlimpimpim. A história de Peter Pan continua sendo uma eterna favorita, mais de 100 anos após sua primeira apresentação. Ela vive através das incontáveis produções teatrais ao redor do mundo tanto como uma peça de teatro ou como uma versão musical, trazendo alegria e felicidade às crianças de todas as idades e formando um público de fãs devotos que frequentarão o teatro para a vida toda.

ELENCO:
Mateus Ribeiro - Peter Pan

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Peter Pan - O Musical Cast & Creatives
photo by: Cla'Er


Daniel Boaventura - Capitão Gancho / Sr. Darling
Pedro Navarro - Smee
Carol Botelho - Tiger Lilly
Bianca Tadini - Wendy Darling
Gabriel Cordeiro / Murilo Martins - John Darling
Henry Gaspar / Luís Prudêncio - Michael Darling
Maria Netto - Sra .Darling
Carol Botelho - Tiger Lilly
Diego Martins - Menino Perdido
Bernardo Berro - Menino Perdido
Bruno Boer - Menino Perdido
Matheus Paiva - Menino Perdido
Vinicius Teixeira - Menino Perdido
Fellipe Guadanuci - Menino Perdido
Karina Mathias - Jane / Coro Feminino / Cover Wendy
Giselle Lima - Coro Feminino / Cover Sra Darling
Giu Mallen - Coro Feminino / Cover Tiger Lilly
Mariana Amaral - Coro Feminino
Thaís Piza - Liza e Coro Feminino
Gabriel Quirino - Coro Masculino
Gustavo Della - Coro Masculino
Lucas Nunes - Coro Masculino
Marco Azevedo - Coro Masculino
Renan Mattos - Coro Masculino
Vanessa Costa - Swing e Dance Captain
Vittor Fernando - Swing Menino Perdido

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Daniel Boaventura (as Captain Hook)
photo by: Leo Aversa

Serviço:
Peter Pan, o Musical
Estreia
: 08 de março
Temporada: até 15 de julho
Local: Teatro Alfa - Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro.

Horários:
Quintas e sextas, às 20h30
Sábados, 16h e 20h
Domingos, 17h

Preços:
· Quintas e sextas
Setor Premium - R$ 190,00
Setor VIP - R$ 160,00
Plateia - R$ 120,00
Balcão I - R$ 60,00
Balcão II- R$ 50,00
· Sábados e domingos
Setor Premium - R$ 210,00
Setor VIP - R$ 180,00
Plateia - R$ 140,00
Balcão I - R$ 60,00
Balcão II- R$ 50,00

Vendas na bilheteria do teatro ou através do ingresso rápido (www.ingressorapido.com.br)
Call center ingresso rápido: (11) 4003.1212
Bilheteria do Teatro Alfa: (11) 5693.4000 / 0300.789-3377

Horário da bilheteria:
Segunda a sábado: 11h às 19h
Domingo: 11h às 17h.

Site: http://peterpanomusical.com.br/

Classificação etária: livre



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