Ruins, Memory and Desire: a Site-Specific HAMLET Reimagines Shakespeare in São Paulo
by Claudio Erlichman. Now on stage at the Nu Cine Copan, the production stars Gabriel Leone and runs until April 19th.
São Paulo, Brazil — Few works in world drama have resonated across centuries as powerfully as Hamlet, written by William Shakespeare between 1599 and 1601. Set in Denmark, the tragedy follows Prince Hamlet’s quest to avenge his father’s murder—only to confront a morally corrupted world where action itself becomes suspect. Themes of betrayal, revenge, power, and existential doubt continue to echo more than four hundred years later, ensuring the play’s enduring relevance. That legacy now finds a striking new expression in Hamlet, Sonhos que Virão, a contemporary Brazilian adaptation directed by Rafael Gomes and starring Gabriel Leone in the title role. Premiering February 19 in São Paulo, the production transforms the long-abandoned Cine Copan into a monumental site-specific performance space, inviting audiences to encounter Shakespeare’s tragedy within an architectural body suspended between decay and renewal.
Rather than staging the play in a traditional black-box venue, the creative team embraces the unfinished cinema’s raw structure as dramaturgical language. Approximately 350 spectators occupy the former screen and stage area, while the action unfolds across the old seating section—reversing theatrical perspective and turning memory, erosion, and urban time into central narrative forces. For Gomes, the choice is philosophical as much as aesthetic. Hamlet, he suggests, is fundamentally about collapse: “a world whose structures no longer hold.” Performing the tragedy inside a ruin becomes not decoration but declaration—an embodiment of the drama’s emotional and political terrain.
Co-adapted by Gomes and Bernardo Marinho from the translation by Aderbal Freire-Filho, Wagner Moura, and Barbara Harrington, the production reorganizes soliloquies and sharpens the focus on desire, paralysis, and inner contradiction. The result is a streamlined, contemporary language that draws the audience closer to Hamlet’s psychological unrest. Leone approaches the role through vulnerability rather than monumentality. Known for screen performances in Dom, Senna and The Secret Agent, the actor emphasizes Hamlet’s humanity—his anxiety, displacement, and relentless self-questioning—positioning the prince as a mirror for modern spectators navigating uncertainty and fractured belonging.
To match the scale of both text and space, the cast blends seasoned performers and emerging talents. Eucir de Souza appears as Claudius, with Susana Ribeiro as Gertrude and Fafá Renó as Polonius. Younger actors—including Samya Pascotto (Ophelia), Felipe Frazão (Horatio/alternate Hamlet), Bruno Lourenço (Laertes), Rael Bnarja (Rosencrantz/ Gravediggers), Daniel Haidar (Guildenstern/ Gravediggers), Davi Novaes (Marcellus/ Osric), Giovanna Barros (ensemble), Lua Dahora (ensemble) and Conrado Costa (ensemble)—extend the production’s dialogue between tradition and renewal, echoing the building’s own suspended transformation.
Following the production’s run, the Nu Cine Copan will undergo renovation and reopen in 2027 as a state-of-the-art cinema complex—making this staging the site’s final major artistic occupation before rebirth. The performance thus exists in a liminal interval between past and future, mirroring Hamlet’s own suspended state between action and hesitation. For more than four centuries, Hamlet has endured because it confronts crises that never disappear: crises of power, meaning, desire, and identity. In Hamlet, sonhos que virão, Shakespeare’s tragedy meets a space equal to its questions—an urban ruin poised on the edge of transformation, where the dreams yet to come begin to take shape.
staged inside the ruins of Nu Cine Copan.
photo by Bob Wolferson.
Estrelado por Gabriel Leone, “Hamlet, Sonhos que Virão” ocupa o Nu Cine Copan e transforma ruína arquitetônica em dramaturgia
Com direção de Rafael Gomes, a montagem estreia em 19 de fevereiro, em meio às obras de revitalização do empreendimento, em uma encenação ‘site specific’ que faz da ruína arquitetônica o eixo central da experiência do público
Poucas obras da dramaturgia mundial atravessaram os séculos com tanta força quanto Hamlet, escrito por William Shakespeare entre 1599 e 1601. Ambientada na Dinamarca, a tragédia acompanha a busca do príncipe Hamlet por vingar o assassinato do pai — apenas para se deparar com um mundo moralmente corrompido, no qual agir se torna tão suspeito quanto não agir. Temas como traição, vingança, poder e dúvida existencial continuam a ecoar mais de quatrocentos anos depois, garantindo a permanente atualidade da peça.
Esse legado ganha agora uma expressão contundente em Hamlet, Sonhos que Virão, adaptação brasileira contemporânea dirigida por Rafael Gomes e estrelada por Gabriel Leone no papel-título. Com estreia em 19 de fevereiro, em São Paulo, a montagem transforma o abandonado Cine Copan em um espaço cênico monumental e site-specific, convidando o público a encontrar a tragédia shakespeariana dentro de um corpo arquitetônico suspenso entre decadência e renovação.
Um teatro erguido a partir das ruínas
Em vez de encenar a peça em uma tradicional caixa preta, a equipe criativa assume a estrutura inacabada do antigo cinema como linguagem dramatúrgica. Cerca de 350 espectadores ocupam a área onde antes ficavam tela e palco, enquanto a ação se desenvolve no antigo espaço da plateia — invertendo a perspectiva teatral e transformando memória, desgaste e tempo urbano em forças narrativas centrais.
Para Gomes, a escolha é tanto filosófica quanto estética. Hamlet, afirma, trata fundamentalmente de colapso: “um mundo cujas estruturas já não se sustentam”. Apresentar a tragédia dentro de uma ruína deixa de ser ornamento e torna-se declaração — uma materialização do território emocional e político do drama.
Nu Cine Copan before its reopening as a cinema in 2027.
photo by Divulgação.
Reenquadrando desejo e dúvida
Com adaptação assinada por Gomes e Bernardo Marinho a partir da tradução de Aderbal Freire-Filho, Wagner Moura e Barbara Harrington, a montagem reorganiza solilóquios e enfatiza desejo, paralisia e contradição interior. O resultado é uma linguagem contemporânea e depurada que aproxima o público da inquietação psicológica de Hamlet.
Leone aborda o personagem pela vulnerabilidade, não pela grandiosidade. Conhecido por trabalhos no audiovisual como Dom e Senna, o ator privilegia a dimensão humana do príncipe — sua ansiedade, deslocamento e autoquestionamento constante — transformando Hamlet em um espelho para espectadores contemporâneos que vivem a incerteza e a sensação de não pertencimento.
Um elenco entre gerações
Para corresponder com a escala do texto e do espaço, o elenco combina artistas experientes e talentos emergentes. Eucir de Souza aparece como Cláudio, Susana Ribeiro como Gertrudes e Fafá Renó como Polônio. Atores mais jovens – incluindo Samya Pascotto (Ofélia), Felipe Frazão (Horacio/Hamlet alternante), Bruno Lourenço (Laerte), Rael Bnarja (Rosencrantz/ Coveiro), Daniel Haidar (Guildenstern/ Coveiro), Davi Novaes (Marcelo/ Osric), Giovanna Barros (ensemble), Lua Dahora (ensemble) e Conrado Costa (ensemble) – ampliam o diálogo da produção entre tradição e renovação, ecoando a própria transformação suspensa do edifício. Nos bastidores, uma equipe criativa de destaque reforça a atmosfera imersiva: cenografia de André Cortez, iluminação de Wagner Antonio, figurinos de Alexandre Herchcovitch e trilha original de Barulhista e Antonio Pinto constroem uma paisagem sensorial onde arquitetura, som e atuação se fundem. As imagens de Bob Wolfenson registram o encontro entre corpos, memória e ruína.
Um momento-limiar para a cidade
Shakespeare’s tragedy in a contemporary adaptation.
photo by Bob Wolferson.
Após a temporada, o Nu Cine Copan entrará em obras e será reaberto em 2027 como um cinema de última geração — fazendo desta montagem a última grande ocupação artística do espaço antes de seu renascimento. O espetáculo passa, assim, a existir em um intervalo entre passado e futuro, espelhando a própria suspensão vivida por Hamlet entre agir e hesitar.
Há mais de quatro séculos, Hamlet permanece porque enfrenta crises que não cessam: crises de poder, sentido, desejo e identidade. Em Hamlet, sonhos que virão, a tragédia encontra um espaço à altura de suas perguntas — uma ruína urbana à beira da transformação, onde começam a se desenhar os sonhos que ainda virão.
HAMLET – SONHOS QUE VIRÃO
de William Shakespeare
Direção: Rafael Gomes
Adaptação: Bernardo Marinho e Rafael Gomes
Tradução: Aderbal Freire-Filho, Wagner Moura e Barbara Harington
Elenco: Gabriel Leone, Susana Ribeiro, Eucir de Souza, Samya Pascotto, Fafá Renó, Bruno Lourenço, Daniel Haidar, Felipe Frazão, Rael Barja, Davi Novaes, Conrado Costa, Giovanna Barros, Lua Dahora
Cenografia: André Cortez
Iluminação: Wagner Antônio
Figurino: Alexandre Herchcovitch
Visagismo: Pamela Franco
Trilha Sonora: Antonio Pinto e Barulhista
Design de som: Gabriel D’Angelo e Fernando Wada
Fotografias: Bob Wolfenson
Design Gráfico: Izabel Menezes
Diretor Assistente: Victor Mendes
Direção de Movimento: Fabrício Licursi
Direção de produção: Rafael Rosi
Coordenação de Produção: Luciana Fávero
Produtor Executivo: Diogo Pasquim
Produção: Art’n Company, Substância Filmes e Viva do Brasil
SERVIÇO:
Temporada: 18 de fevereiro a 19 de abril
Quartas-feiras: 20h
Quintas-feiras: 20h30
Sextas-feiras: 20h
Sábados: 16h e 20h
Domingos: 17h
Ingressos de $25 a $200.
Vendas em online em nucinecopan.byinti.com
Bilheteria física no local 2h antes da sessão.
Local:
Edifício Copan – loja 44
Av. Ipiranga, 200 – Centro – São Paulo/SP
Entrada pela Galeria do Copan
Classificação indicativa: 14 anos

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