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Fluxorama, uma das 21 peças curtas do Festival Bitesize do Riverside Studios, é uma série de três monólogos escritos pelo premiado dramaturgo brasileiro Jô Bilac. É uma tentativa audaciosa de abordar temas de vida e morte em menos de uma hora – e embora seja louvável tratar assuntos tão significativos, no fim, Fluxorama não alcança exatamente o objetivo.
O motivo geral que liga as três declarações de três atores diferentes é a luta: lutar para terminar uma corrida, lutar pela vida e lutar pela sanidade.
Katherine Lyle convence como Walkiria, que se estimula para os estágios finais de uma maratona no calor intenso de São Paulo – tocando uma corda durante as nossas atuais temperaturas extremas – correndo durante todo o tempo no palco em uma admirável demonstração de preparo físico.
Créditos da foto: Madeleine Bloxam
Ela passa por várias fases, desde se repreender por ser inútil ("Por que tive essa ideia?"), a questionar por que está correndo essa prova ("O que você está tentando provar e para quem?"), até a eventual autoelogio ("Você é maravilhosa!").
Gosto da noção de Bilac sobre como nós nos culpamos quando achamos que não estamos tendo um bom desempenho e, igualmente, como podemos nos tornar presunçosos quando acreditamos finalmente ter alcançado nossos objetivos percebidos. Este discurso também examina como as mulheres, em particular, podem ser duras consigo mesmas quando seu comportamento não atende às expectativas da sociedade.
O segundo monólogo inicia de forma dramática com Diego Zozaya como Luiz, deitado na lateral de uma cama em frente a cortinas pretas (a cenografia simples de Alice Edgar é a mesma para os três solilóquios). Ele está gravemente ferido em um acidente de carro em seu amado Mustang.
Zozaya oferece a performance mais forte da noite como Luiz, lutando para manter sua vida, relembrando tempos bons – e ruins. Em um momento de humor muito necessário, ele recorda sensual sua paixão pela bela Isadora e rapidamente passa para seu ódio pelo "motorista de táxi canalha" que o enganou após levá-lo ao aeroporto.
Créditos da foto: Madeleine Bloxam
Luiz expressa decepção por uma morte prestes a acontecer considerada medíocre ("não como eu imaginaria morrer") e questiona se sua vida foi boa. Ele acaba se sentindo solitário, apesar de pensamentos sensuais sobre a voluptuosa Isadora e recordações de sua família. A peça termina de forma ambígua, com o som distante de sirenes e Luiz murmurando, "Está tudo bem" e "Estou aqui".
O monólogo final – no qual Karinna de Simone assume o papel de Amanda, uma dona de casa estrangeira que começa a perder seus sentidos – é o mais surreal dos três. Ela se dirige à mãe, explicando como perde primeiro a audição, mascarando isso de forma tão crível que aqueles ao seu redor dizem que ela nunca esteve tão atenta antes ao ouvi-los. Há até uma referência meta ao fato de que isso é como uma atriz atuando.
Amanda então perde outros sentidos, como paladar, olfato, tato e visão. Ela permanece estranhamente otimista, dizendo que seu amor pelas pessoas continua crescendo. Ela abraça suas amigas, desejando sentir elas. A interpretação de De Simone de uma mulher "deixada para trás no nada" é sombria e desesperadora. Ela está "esperando por uma vida após a morte que nunca chegou."
Outro elemento do espetáculo é a voz sonora em off de uma figura alienígena chamada Bacterium, interpretada por James Walsh. Ele faz observações sobre essas estranhas criaturas humanas, com um design sonoro assustador de Leonardo Ferreira que enfatiza suas palavras. Não estou convencido sobre esse aspecto da produção e não tenho certeza se ele é realmente necessário.
Segundo as informações disponíveis, o título do espetáculo significa o conceito de um "fluxo" (fluxo) de consciência e uma visão panorâmica, misturando intensidade psicológica com humor negro.
Embora explorar a teoria de como podemos reagir sob pressão extrema quando levados ao limite absoluto pareça interessante, não sinto que Fluxorama tenha sido claro o suficiente ou emocionalmente envolvente para sustentar tudo.
No entanto, admiro a ideia por trás do Festival Bitesize. Promover novas obras criativas e correr riscos, ao mesmo tempo dando espaço para novos artistas experimentarem, é algo que deve ser aplaudido.
Fluxorama fica em cartaz no Riverside Studios até 5 de agosto. O Festival Bitesize continua até 30 de agosto.
Créditos das fotos: Madeleine Bloxam