BWW Review: Classic of the 70's PIPPIN is Revived in Brazil With Great Success

BWW Review: Classic of the 70's PIPPIN is Revived in Brazil With Great SuccessLed by the Master of Ceremonies (Totia Meireles), a theatrical troupe tells the story of Prince Pippin (Felipe de Carolis), son and heir to the throne of King Charlemagne (Jonas Bloch). In search of the meaning of his life, and to achieve an extraordinary existence, he follows the advice of his grandmother (Nicette Bruno) and stepmother Fastrada (Adriana Garambone), goes through battles, experience power, the simple life and love.

BWW Review: Classic of the 70's PIPPIN is Revived in Brazil With Great Success
Totia Meireles (as MC) and company
photo by Daniel Coelho

Comumente subapreciado, Pippin é um musical com mais substância do que muita gente possa imaginar. Primeiro por rejeitar um E-Viveram-Felizes-Para-Sempre a favor de um final do mundo real, de compromisso e dúvida; e segundo por acontecer em tempo real e num palco, o show pode ser considerado um dos musicais mais realistas já produzidos (Bob Fosse, o diretor/coreógrafo original do show, também brincou com o realismo na versão cinematográfica de Cabaret). Embora situado na França carolíngia, Pippin é sobre o aqui e agora. Polvilhado com anacronismos nos figurinos e no diálogo às vezes esquecemos que é uma peça de época, apesar do nome dos personagens. O show trata do envelhecimento, dos ritos de passagem, a carência de modelos e linhas de orientação para os jovens da sociedade de hoje em dia, assim como a desesperança que se torna mais e mais predominante dentre estes jovens. O show é surreal e perturbador com um subtexto significativo e profundo.

Quando o personagem Mestre de Cerimônias diz para a plateia, durante a sequência final, "Porque nós estamos bem dentro das suas cabeças", só pode implicar que todos os personagens estão na imaginação de Pippin (e/ou na nossa imaginação coletiva). Muitos dos momentos surrealistas do show só fazem um sentido maior se tudo estiver acontecendo na cabeça de Pippin. Naturalmente ao aceitarmos esta premissa temos que aceitar que Pippin falha propositalmente em tudo, e que ele convence a si mesmo a cometer suicídio por autoimolação. Muitos amigos dizem que Fosse considerou o suicídio em algumas ocasiões.

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Felipe De Carolis (Pippin), Jonas Bloch (Charlemagne )
and Nicette Bruno (Berthe)
photo by Daniel Coelho

A história de Pippin é uma lenda medieval sobre Pépin dit lê Bossu (Pepino, o Corcunda), filho de Carlos Magno (Jonas Bloch), o primeiro Imperador do Sacro Império Romano. O ingênuo Pippin (Felipe De Carolis), assim como Cândido, de Voltaire, sai numa odisseia à procura do sentido da vida e de glória, primeiro buscando autoafirmação na guerra, depois com a amante, e finalmente como defensor de causas sociais. Tendo fracassado em todas, parte para uma vida modesta e doméstica, tipo classe média, casando-se com a viúva Catherine (Cristiana Pompeo). O sucesso de Pippin deveu-se indiscutivelmente à excepcional direção e coreografia do gênio de Bob Fosse que também colaborou na reforma do enredo original. A coreografia era tão marcante que o estilo foi usado na primeira abertura do Fantástico, da TV Globo assista aqui), onde a música, composta por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, também foi inspirada em Magic To Do, do mesmo show. Fosse estampou sua assinatura no musical transformando-o num show mágico e excitante, dentro da estrutura da commedia dell'arte e inventando, para dar ao espetáculo um sentido de unidade, a figura de uma espécie de narrador, meio Deus, meio demônio, desenvolvido a partir do Mestre de Cerimônias de Cabaret; que na montagem original foi magnificamente interpretado por Ben Vereen.

Este sucesso retumbante, que durou mais de cinco anos na Broadway, teve autoria de Stephen Schwartz, que o havia escrito quando ainda era um estudante do colegial. Mas só veio a ser produzido após o grande sucesso do musical anterior de Schwartz, Godspell, fazendo com que ele, aos 24 anos, se tornasse o compositor/letrista mais jovem na história da Broadway a ter dois shows em cartaz ao mesmo tempo. A longa carreira do musical foi ajudada ainda pelo primeiro anúncio feito especialmente para a TV de um show da Broadway (assista aqui). Bob Fosse aproveitou seus conhecimentos de direção cinematográfica para criar um filme publicitário espetacular de irresistível apelo para o público. Pippin acabou sendo indicado para 11 Tonys vencendo nas categorias de Melhor Ator (Ben Vereen), Cenário, Iluminação, Coreografia e Direção (ambos para Fosse). De fato, o papel do Mestre de Cerimônias é tão marcante que em 2013, ao ser protagonizado por Patina Miller, na remontagem da Broadway, Pippin se tornou o primeiro musical a estrelar atores de sexos diferentes a ganhar um Tony pelo mesmo papel.

Em 1981 a TV canadense gravou uma versão ao vivo do musical, chamada Pippin: His Life and Times, disponível em DVD. Dirigida por Kathryn Doby, a coreógrafa assistente de Fosse na produção original, e direção de vídeo de David Sheehan, trouxe de volta Ben Vereen como Mestre de Cerimônias enquanto William Katt (que na época fazia sucesso como 'O Grande Herói Americano', filho de dois astros antigos, Barbara Hale e Bill Williams) fez Pippin. Completavam o elenco Chita Rivera (Fastrada) e Martha Raye (Berthe). Devido às restrições de tempo na televisão, muitas partes da peça foram cortadas da transmissão, mas o espírito burlesco da montagem original, assim como os cenários, figurinos e coreografias foram preservados. Aqui podemos ver a assinatura de Fosse logo na abertura soul com 'Magic to Do' com a coreografia das mãos; a alto astral 'Corner of the Sky', onde magicamente um castelo imenso de macramé surge a partir de um lencinho vermelho, no final da música; a amável balada 'With You' (apresentada num bordel) e a travessa 'No Time at All' (aqui interpretada pela sempre simpática Martha Raye em forma de sing-a-long). O vídeo tem a supervisão de Fosse e serve como um documento de seu estilo impressionante além de trazer um extra com uma entrevista especial dada por Fosse em Cannes.

Em 2003, devido ao sucesso de Chicago, a extinta Miramax adquiriu os direitos do musical para o cinema, sem nunca divulgar maiores detalhes sobre a produção como elenco ou direção.

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1974 Original Brazilian Cast

Em 1974, Pippin recebeu sua produção brasileira, estreando no Teatro Adolpho Bloch, no Rio de Janeiro. Sob direção de Flávio Rangel, trazia Marco Nanini no papel principal, e Marília Pêra como a Mestre de Cerimônias. Também faziam parte do elenco Carlos Kroeber (Carlos Magno), Ariclê Perez (Catarina), Maria Sampaio (Berta), Tete Medina e Miriam M. Müller (Fastrada) dentre outros. O "corpo de baile" incluía Ronaldo Resedá, Rosane Maia, Cecília Salazar, Maria Odette, Neusa Maria, Sandra Pêra e Walter Breda. Pouco tempo após a estreia Marília Pêra deixou a produção - em função de uma estafa, acumulando trabalhos em teatro, cinema e TV - e no seu lugar entrou Suely Franco. A cenografia e o figurino ficaram a cargo de Gianni Rato e Kalma Murtinho respectivamente.

A nova montagem brasileira de Pippin que esteou em 03 de agosto no Rio de Janeiro, é um projeto cultivado há cinco anos pela dupla Charles Möeller & Claudio Botelho, e o resultado desta maturação, que inclusive passou por um workshop, pode ser sentido na forma irrepreensível desta produção tanto na parte técnica quanto artística e musical que vem lotando o Teatro Clara Nunes. Sente-se ali todo o carinho que a dupla tem para com esta obra de Stephen Schwartz. Charles Möeller se aproveita da imensa boca de cena, muitas vezes difícil de preencher deste teatro para ocupa-la de forma autêntica e espontânea fluindo com muita naturalidade e ritmo, numa direção imagética. Para isso temos a contribuição do belo cenário de Rogério Falcão, que concebeu um teatro circense metalinguístico, onde mistura de forma harmoniosa vários estilos como bizantino, gótico, barroco e de comédia dell'arte, dando ao mesmo tempo um aspecto atemporal e moderno. O mesmo se espelha nos figurinos alegres, meio hippies, meio medievais e muito sensuais de Luciana Buarque. Claudio Botelho nos proporciona como de costume uma bela e poética versão desta vez em 'parceria', com ninguém menos que o próprio Stephen Schwartz, que supervisionou verso a verso cada música. Repare no cuidado de Claudio com o respeito às rimas internas e ricas, e nas referências à poesia de Walt Whitman e da Geração Beat de Jack Kerouac. Que Alonso Barros é um dos melhores coreógrafos do teatro musical brasileiro não é novidade. Que ele é um dos maiores especialistas mundiais em Bob Fosse todos já sabemos. Imagine então o que ele não faz com as coreografias de Pippin! Um show à parte, com destaque à coreografia de Com Você (With You), bem erótica, sobre as descobertas sexuais do herói, com direito a uma aparição do próprio Bob Fosse em cena!

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Not Time At All number
photo by Daniel Coelho

A atuação de Totia Meireles como a ambígua Mestre de Cerimônias com seus meneios mostra grande força e sua interpretação para Temos Mágicas (Magic to Do) torna-se um número de abertura indiscutível. Felipe De Carolis como Pippin dá uma interpretação compenetrada e completamente entregue ao difícil personagem, e seu primeiro solo Meu Canto Sob O Sol (Corner of the Sky), é de grande vivacidade. Em uma rápida, porém marcante aparição temos Nicette Bruno adorável no papel de Berthe, a avó de Pippin, que leva o teatro abaixo ao cantar o showstopper da peça, um hino ao regozijo pagão A Vida É Só Uma (No Time At All), difícil de resistir. Luiz Felipe Mello, como Theo, o enteado de Pippin, mostra um grande talento mirim, dando nuances incomuns ao personagem do menino terrível e mimado. Catharina, sua mãe, interpretada por Cristiana Pompeo, nos oferece uma romântica leitura da balada Eu Vou Sofrer (I Guess I'll Miss the Man). Destaque também para a bela e afinadíssima trupe que nos dá belos momentos vocais e de movimentos como no já citado número Com Você, Gloria (Glory) e A Ciência da Guerra (War is a Science) que está sob a direção musical de Jules Vandystadt. Neste score totalmente folk-jazz, Jules nos entrega um trabalho surpreendentemente do mais puro soft-pop bem característico dos anos 1970, respeitando o trabalho original do compositor de jazz Ralph Burns, que já havia trabalhado com Fosse no musical Sweet Charity (1969) - e posteriormente em Chicago (1975) - e viria a ser parceiro dele nos filmes Cabaret (1973 - Oscar de Melhor Partitura Adaptada) Lenny (1974), All That Jazz (1979 - Oscar de Melhor Trilha Sonora) e Star 80 (1983). Ele ganharia o primeiro Tony, em 1999, justamente por suas orquestrações para o musical Fosse.

Segundo Bob Fosse, de algum modo todos os musicais são originais. Uma vez que eles são colocados em produção, se tornam sua própria fonte de material e podem tomar qualquer direção. Quando estreou, Pippin foi um som novo na Broadway, e ao conquistar admiradores assim como críticas desfavoráveis, tornou-se não só um clássico contemporâneo, mas também a peça que fez de seu diretor / coreógrafo um nome famoso logo antes de Cabaret e All That Jazz.

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Luiz Felipe Melo (Theo), Cristiana Pompeo (Catharina), Jonas Bloch (Charlemagne ), Guilherme Logullo (Lewis), Felipe de Carolis (Pippin), Nicete Bruno (Berthe), Maria Elvira Meirelles (MC) and Adriana Garambone (Fastrada)
photo by Daniel Coelho

Para quem não assistiu ainda aqui vai um gostinho:

Meu Canto Sob O Sol (Corner Of The Sky)
Pippin

TUDO TEM SEU MOMENTO
TUDO TEM SEU LUGAR
SOPRANDO O VENTO
CATAVENTO VAI GIRAR

ANDORINHAS NOS VARAIS
FLORES SOBRE O CAPIM
SÓ EU CAMINHO ASSIM SEM RUMO
SEM LUGAR PRA MIM

OS RIOS VÃO ATRÁS DE CHUVA
OS BARCOS VÃO AO SEU FAROL
EU VOU SEGUIR
UMA ESTRELA VAI CAIR
E APONTAR MEU CANTO SOB O SOL

CADA UM SONHA UM SONHO
CORAÇÃO SABE AMOR
TODO MUNDO SABE
QUE O ESPINHO VEM NA FLOR

NUVEM TRAZ TEMPESTADE
ROUXINOL TRAZ CANÇÃO
MAS PRA MIM
EU QUERO MAIS DE MIM
MAIS QUE OS PÉS NO CHÃO

OS RIOS VÃO ATRÁS DE CHUVA
OS BARCOS VÃO AO SEU FAROL
EU VOU SEGUIR
UMA ESTRELA VAI CAIR
E APONTAR MEU CANTO SOB O SOL

GENTE SORRINDO À TOA
SEM NADA E FELIZ ASSIM
MAS ALGO EM MIM TEM SEMPRE SEDE E NÃO TEM FIM
NÃO SEI SE É MEU CAMINHO
MAS ONDE EU FOR, É MEU
DE LONGE VÃO ME OUVIR CANTANDO
E AQUELA VOZ SOU EU

OS RIOS VÃO ATRÁS DE CHUVA
OS BARCOS VÃO AO SEU FAROL
EU VOU SEGUIR
UMA ESTRELA VAI CAIR
E APONTAR MEU CANTO SOB O SOL

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The Company
photo by Daniel Coelho

PIPPIN
Um espetáculo de Charles Möeller & Claudio Botelho
Texto de Roger O. Hirson
Música & Letras de
Stephen Schwartz

Elenco:
Felipe de Carolis, Totia Meireles, Nicette Bruno, Jonas Bloch, Adriana Garambone, Cristiana Pompeo, Guilherme Logullo, Luiz Felipe Mello, Analu Pimenta, Bel Lima, Bruninha Rocha, Daniel Lack, Flavio Rocha, Jéssica Amendola, João Felipe Saldanha, Paulo Victor, Rodrigo Cirne, Sérgio Dalcin e Victoria Aguillera.

Direção: Charles Möeller
Versão Brasileira: Claudio Botelho
Direção Musical: Jules Vandystadt
Coreografia: Alonso Barros
Cenário: Rogério Falcão
Figurinos: Luciana Buarque
Design De Som: Marcelo Claret
Iluminação: Rogério Wiltgen
Visagismo: Beto Carramanhos
Coordenação Artística: Tina Salles
Produção Executiva: Carla Reis

Apresentado por: Ministério da Cultura e Bradesco Seguros
Patrocínio: Multiplus
Realização: M&B e E_MERGE

SERVIÇO:
Temporada: 03 de agosto a 21 de outubro de 2018
Onde: Teatro Clara Nunes - Shopping da Gávea
Dias: Quintas, às 17h. Sextas e sábados, às 21h. Domingos, às 19h30.
Classificação indicativa:
12 anos
Ingressos:
Quintas (17h) e Sextas (21h): R$ 50 (balcão) e R$ 80 (plateia)
Sábados (21h) e Domingos (19h30): R$ 70 (balcão) e R$ 120 (plateia).

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