BWW Review: CANTANDO NA CHUVA (Singin' In The Rain) Gives Brazil a Shower of Joy

BWW Review: CANTANDO NA CHUVA (Singin' In The Rain) Gives Brazil a Shower of Joy
Bruna Guerin (Kathy Selden), Jarbas Homem de Mello (Don Lockwood),
Claudia Raia (Lina Lamont ) and Reiner Tenente (Cosmo Brown)
photo by: Caio Gallucci

Cantando Na Chuva (Singin' in the Rain) is set in the roaring '20s and silent movie stars are the biggest names in the world. Don Lockwood (Jarbas Homem de Mello) has it all, a string of hit films and a studio-engineered romance with the most beautiful actress in town, Lina Lamont (Claudia Raia). But with the new phenomenon of the talking picture on the way and a chance meeting with Kathy Selden (Bruna Guerin), a talented young chorus girl set to steal his heart, things are about to change for Don and for Hollywood forever.
With all the charm, romance, comedy and tinsel town glamour of one of the world's best-loved films, Cantando Na Chuva songs include Good Morning, Make 'em Laugh, Moses Supposes and the legendary Singin' in the Rain.

COMO SURGIU O FILME

BWW Review: CANTANDO NA CHUVA (Singin' In The Rain) Gives Brazil a Shower of Joy
Jarbas Homem de Mello as Don Lockwood
photo by: Caio Gallucci

Tão novo e revigorante como era há 65 anos e centenas de vezes assistido por seus admiradores depois, Cantando na Chuva é verdadeiramente uma das grandes preciosidades do cinema, o mais edificante e inspirador dos filmes ("I'm laughing at clouds / So dark up above / The sun's in my heart / And I'm ready for love..."), na minha opinião o melhor filme musical de todos os tempos. Cantando na Chuva é o musical definitivo para amantes do cinema. Tem gente que diz que assistir o filme é melhor que Prozac! Os diretores Gene Kelly e Stanley Donen não só foram inovadores no uso da película (i.e. cor, iluminação, edição, efeitos especiais, colocação da câmera, movimento de câmera e som) para realçar as fabulosas canções e danças, mas com o roteiro de Adolph Green & Betty Comden, aqui também encontramos o melhor, mais perspicaz, mais informativo filme já feito sobre a indústria cinematográfica. Não é à toa que o diretor e crítico François Truffaut que também satirizou o cinema em A Noite Americana (La nuit américaine, 1972), juntamente com o diretor Damien Chazelle, que no recente La La Land (2017) presta uma grande homenagem ao filme, são somente duas das incontáveis milhões de pessoas que consideram Cantando Na Chuva uma autêntica obra-prima.

A pessoa responsável por iniciar o projeto de Cantando Na Chuva foi Arthur Freed, o lendário produtor da MGM cujos créditos já incluíam alguns musicais clássicos como Agora Seremos Felizes (Meet Me in St. Louis, 1944), Desfile de Páscoa (Easter Parade, 1948), Minha Vida É Uma Canção (Words and Music, 1948) e Um Dia em Nova York (On The Town, 1949). Este último foi o primeiro filme dirigido pela equipe de Kelly e Donen, o primeiro musical a usar locações e o primeiro sucesso dos escritores Green & Comden, ex-artistas de um quarteto de vaudeville (que incluía Judy Holliday), em Nova York. Para Cantando Na Chuva, Freed especificou a Comden & Green que viessem com uma história que pudesse utilizar algumas canções de sucesso - incluindo a canção título - que ele e seu parceiro Nacio Herb Brown compuseram nos anos 1920 e 30. Desapontados porque não tinham permissão para escrever um score original, Comden & Green relutantemente foram ao trabalho. A primeira grande decisão feita por eles foi a de situar o filme durante a era em que Freed e Brown escreveram as suas músicas ao invés de tentar adaptar as canções com gosto de antigamente para um ambiente mais moderno. Sendo eles fãs de cinema interessados na história da indústria, escolheram construir uma história que fosse situada, especificamente em 1927-28, quando Al Jolson e O Cantor de Jazz (The Jazz Singer, 1927) viraram Hollywood de cabeça para baixo e fez com que a música fosse vital para esta mídia sobreviver. Importante de um ponto de vista dramático, a vinda do som aos filmes, sinalizando o fim da carreira de muitos astros e estrelas e o nascimento do estrelato de muitos outros, especialmente daqueles que podiam dançar e cantar deu imediatamente ao filme o seu "conflito" necessário (uma cidade em turbulência). As histórias pessoais das personagens e seus conflitos refletem o que aconteceu em volta deles em uma escala maior.

Eu creio que o segredo da grandeza do filme é que Gene Kelly (Don Lockwood), astro e codiretor, de bom grado e prazerosamente dividiu seu filme com seus colegas. Não é por acaso que Debbie Reynolds (Kathy Selden), Donald O'Connor (Cosmo Brown) e Jean Hagen (Lina Lamont) nunca estiveram melhores. É claro que Kelly reservou para si aquela que se tornaria uma das cenas mais antológicas e emblemáticas do cinema quando dança sob uma tempestade e se agarra ao poste de luz, se dando ao direito da autoparódia, com honras para a sua atuação. Melhor conhecida por protagonizar a esposa de Danny Thomas na série de TV Danny Thomas Show (Make Room for Daddy, 1953-65), Hagen tornou sua atuação numa joia, quase a nível de Judy Holliday. A partir deste filme - pelo qual foi indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante - nós vemos que a ela nunca foi dada a chance de ser a grande comediante que ela obviamente teria tido capacidade de ser. E Kelly permitiu a Donald O'Connor exibir seus talentos raros e extraordinários - especialmente no número "Make 'em Laugh". Dê uma olhada em todos os outros filmes de O'Connor e você jamais dirá que pessoa mais dotada de talento, tanto dançando quanto cantando, ele é. Nossos agradecimentos a Kelly por alçá-lo a se juntar a outros imortais da dança. Ex "Miss Burbank" Debbie Reynolds só havia feito um número musical antes de aparecer em Cantando Na Chuva. Foi em Três Palavrinhas (Three Little Worlds, 1950) e, ironicamente, ela era dublada nas letras que Helen Kane cantava com sua voz de Betty Boop - assim como Kathy Selden deveria cantar enquanto Lina, que tem uma voz de Betty Boop, porém mais apalermada e azucrinante, é dublada. Eu não acho que Kelly quisesse Reynolds para o filme, mas uma vez que ele a tinha ele deu a ela sua primeira grande chance no cinema de cantar e dançar - e como ela estava brilhante, vivaz e absolutamente maravilhosa! Fred Astaire costumava manter os solos de dança só para si... mas Kelly não mostra sinais de ciúmes em relação a Debbie. Kelly não tem a preocupação tola que sua performance seja diminuída pelo brilho de Reynolds, O'Connor e Cyd Charisse na parte musical. Ninguém sofre porque os outros estão em seu auge; e o filme, cheio de solos, duetos, trios, 'production numbers' (e comédia de primeira) continua ficando cada vez melhor.

O MUSICAL

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'Good Morning': Jarbas Homem de Mello, Bruna Guerin and Reiner Tenente
photo by: Mare Martin

Quase uma recriação nota-por-nota, cena-por-cena, desta magnífica obra-prima que de forma divertida nos mostra a transição do cinema mudo para o falado, Cantando Na Chuva estreou no último dia 12 de agosto no Teatro Santander. A iteração para o teatro musical reencontra de forma inteligente e meticulosa cada momento chave do que acontece no memorável filme musical de 1952, que muitos têm como um dos melhores filmes musicais de todos os tempos. Esta versão direta de um clássico tão amado pode parecer uma via mais fácil de navegar, mas não se pode negar que, de forma favorável, assegura uma conexão amorosa e nostálgica com o seu material de origem, que garante, no entanto, reacender o profundo carinho das pessoas pelo filme e, portanto, transferir esse carinho para o show de palco também. Isto certamente ajudou que Comden & Green, a lendária dupla da Broadway, retornasse décadas depois para adaptar com muito aprumo esta versão para o teatro, criando essencialmente um musical jukebox nostálgico e envolvente com as mesmas músicas do catálogo da MGM, na sua maior parte escritas por Nacio Herb Brown.

Os resultados são extraordinários. Não só as cenas-chave que foram recriadas para o teatro estão da mesma forma engraçadas e deliciosas, mas esta adaptação, por si só, permite que verdadeiros talentos do teatro musical brasileiro também brilhem tanto tempo depois. E nesta produção o diretor Fred Hanson nos dá uma montagem alegre que vale a pena conferir.

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'Broadway Melody': Jarbas Homem de Mello and Ensemble
photo by: Mare Martin

Situado nos loucos anos 1920, dias de pré-mídia social, onde havia um culto à imagem e à celebridade que era promovida como uma mercadoria por Hollywood se propiciava um ambiente, dominado pelo cinema mudo, onde tornou duas grandes estrelas da tela em grandes astros dos letreiros das marquises: o galã Don Lockwood e a diva deslumbrante porém ridiculamente irritante Lina Lamont. No papel de Don, Jarbas Homem de Mello mostra porque é considerado um dos mais completos atores do teatro musical brasileiro mostrando todas suas habilidades artísticas. Além de exibir seu talento cômico, ele interpreta e canta com um charme apropriado daquela época, com uma voz macia dos anos 1920. Quando reproduz a famosa cena título sob um toró, a plateia vem abaixo! Como Lina, Claudia Raia rouba todas as cenas em que aparece. É mais uma de suas criações memoráveis. Mudando totalmente seu registro vocal para um agudo dissonante, deliciosamente insuportável, e atropelando a língua portuguesa, ela que é uma das pioneiras na retomada do teatro musical no país, transforma uma personagem originalmente secundária em protagonista. Raia com seu talento cômico conquista a plateia logo de cara e é difícil não rir a cada entrada sua. Como se isto não bastasse, ela ainda mostra que está mais em forma do que nunca no pas de deux "Broadway Melody" onde mostra a grande bailarina que é. Este número, que no filme foi dançado por Cyd Charisse, não aparece na versão londrina original de forma completa, sendo um bônus na montagem brasileira. Esta e as outras coreografias de dança ficaram a cargo de Kátia Barros, todas inéditas, desenvolvidas especialmente para a montagem.

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'Broadway Melody': Claudia Raia and Ensemble
photo by: Mare Martin

Como o melhor amigo de Don e seu antigo parceiro de vaudeville temos Reiner Tenente no papel de Cosmo Brown. Ele está maravilhoso e é um talento à parte, um dançarino flexível e espetacular, com uma voz para o canto particularmente agradável, que juntamente com sua caracterização nos dá uma atuação notável, especialmente no número "Make 'em Laugh". No papel da atriz aspirante que parece não se perturbar com o culto à celebridade, temos a talentosa e radiante Bruna Guerin, que por vezes nos lembra a imagem de Debbie Reynolds no filme. Ela está harmoniosa, elegante e vocalmente polida.

Há momentos definitivos nesta produção de Cantando Na Chuva. Momentos onde o brilho individual e coletivo está em exibição. Estes momentos são, felizmente, muitos e entusiasmados, como nas duas personagens, a fofoqueira e a professora de fonética feitas por Nábia Villela, engraçadíssima. Outro destaque também para Lázaro Menezes e Matheus Paiva, no número de sapateado antes do gran finale. Os dois dão um verdadeiro show num número à frente das cortinas - que provavelmente deveria servir somente para a troca de cenário e figurinos do elenco -, e, no entanto é uma das grandes surpresas do musical, assim como os vídeos que são projetados com participações especiais, um com Marcelo Médici explicando a novidade do cinema falado e o outro, com Reynaldo Gianecchini, recriando um filme mudo.

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'Singin' in theRain': Ensemble
photo by:
Mare Martin

Falando em surpresas... Sim! Chove "de verdade" no palco. Uma equipe vinda especialmente da Inglaterra, especializada neste tipo de efeito, garante que a cena clássica e mais aguardada seja recriada fielmente num aguaceiro para satisfação da plateia.

Com tanta água os figurinos de época precisos, muito fieis ao filme, de Fábio Namatame, receberam todo um tratamento de impermeabilização. Chris Mattalo, coreógrafa responsável pelo sapateado, refaz as cenas marcantes de tap dancing como as de "Good Morning", o solo "Cantando na Chuva", "Moses", e o curtain-call com todo o elenco dançando sob a chuva. A direção musical do espetáculo, a cargo de Carlos Bauzys, demonstra um alto nível técnico com orquestrações belas e grandiosas. Ele consegue juntamente com a coreografia mostrar aquela nostalgia que homenageia amorosamente o tipo de musical de uma época passada. Os cenários de Josh Zangen são corretos, evocando a era de "Hollywoodland" e seus grandes estúdios, ressaltados por um desenho de luz atrativo de Cory Pattak. A versão brasileira das músicas feita por Mariana Elizabetsky e Victor Mühlenthaler é adequada.

Com um ritmo rápido e um humor irreverente que parece transcender às diferentes idades do público, Cantando Na Chuva é uma coprodução da IMM Esporte e Entretenimento, Raia Produções e Egg Entretenimento que é muito mais do que uma cópia carbono do melhor filme de todos os tempos. O musical dá um banho de talento e alegria sendo difícil resistir.

Cantando na Chuva

BWW Review: CANTANDO NA CHUVA (Singin' In The Rain) Gives Brazil a Shower of Joy
'Singin in the Rain': Curtain Call
photo by: Mare Martin

.Elenco:
Claudia Raia, Jarbas Homem de Mello, Bruna Guerin, Reiner Tenente, Sérgio Rufino, Dagoberto Feliz, Thiago Machado, Nábia Villela, Fabio Saltini, Alessandra Dimitriou, Andreza Meddeiros, Carla Vazquez, Carol Tanganini, Claudia Rosa, Conrado Helt, Gabriela Rodrigues, Johnny Camolese, Julio Assad, Lázaro Menezes, Luciana Milano, Marcelo Santos, Mariana Barros, Mariana Gallindo, Marisol Marcondes, Matheus Paiva, Nina Sato, Pedro Paulo Bravo, Sandro Conte, Leandro Naiss e Vanessa Mello.

.Equipe criativa:
Diretor Artístico - Fred Hanson
Diretor Musical - Carlos Bauzys
Coreógrafa - Kátia Barros
Coreógrafa de Sapateado - Chris Matallo
Cenógrafo - Josh Zangen
Figurista - Fábio Namatame
Designer de Luz - Cory Pattak
Designer de Som - Tocko Michelazzo
Designer de Peruca - Feliciano San Roman
Designer de Maquiagem - Henrique Mello

.Serviço:
Estreia: 12 de agosto
Temporada: até 26 de novembro de 2017
Local: Teatro Santander
Endereço: Complexo do Shopping JK - Av. Juscelino Kubitschek, 2041 - Itaim Bibi - SP

.Horários:
Quinta, às 21h
Sexta, às 21h
Sábado, às 17h e 21h
Domingo, às 16h e 20h

.Ingressos:
Quintas (21h) e domingos (20h)
Frisas balcão: R$ 50,00
Balcão B: R$ 50,00
Balcão A: R$ 120,00
Frisas plateia superior: R$ 160,00
Plateia superior: R$ 200,00
Plateia VIP: R$ 240,00

Sextas (21h), sábados (17h e 21h) e domingos (16h)
Frisas balcão: R$ 50,00
Balcão B: R$ 50,00
Balcão A: R$ 140,00
Frisas plateia superior: R$ 180,00
Plateia superior: R$ 220,00
Plateia VIP: R$ 260,00

.Vendas:
Ingresso Rápido (www.ingressorapido.com.br), Entretix (www.entretix.com.br)
Bilheteria do teatro - horário de funcionamento: domingo a quinta, das 12h às 20h ou até o início do espetáculo / sexta e sábado, das 12h às 22h)
Vendas a grupos: grupos-entretenimento@immbr.com
Classificação Etária: livre (menores de 12 anos permitida a entrada acompanhados dos pais ou responsáveis legais)
Duração: 2h30 em 2 atos, com 15 minutos de intervalo
Capacidade: 946 lugares




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From This Author Claudio Erlichman

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