FIM DE PARTIDA (Endgame) Returns: Marco Nanini Stars in Beckett Masterpiece at Teatro Paulo Autran
by Claudio Erlichman. The production runs from April 30th through May 31st, at Teatro Paulo Autran – Sesc Pinheiros.
São Paulo, Brazil — Samuel Beckett’s landmark tragicomic play Endgame (Fim de Partida) returns to the stage in a major new Brazilian production opening April 30 at Teatro Paulo Autran, inside Sesc Pinheiros. Directed by Rodrigo Portella and produced by Fernando Libonati for Pequena Central, the production stars Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez, and Ary França in a fresh interpretation of one of the most influential works of 20th-Century Theater. Written in the aftermath of World War II and first premiered in 1957, the play remains one of Beckett’s most celebrated masterpieces.
Set in a bleak post-apocalyptic world, Endgame follows Hamm, an elderly blind and paralyzed man confined to a chair, and Clov, his servant and constant companion, who cannot sit down. Their relationship is built on dependence, cruelty, and emotional tension, while Hamm’s aged parents, Nagg and Nell, live inside ashbins, adding to the play’s darkly comic and unsettling atmosphere. Through fragmented dialogue and repetitive actions, Beckett creates a haunting portrait of human existence where meaning feels elusive and the characters seem trapped in the final moves of an unwinnable game.
For Marco Nanini, performing Beckett represents a long-standing artistic challenge. “I often say that Beckett keeps orbiting the minds of contemporary actors, because he offers an immense challenge through the multiple paths his work allows,” says the actor, who reunites with Guilherme Weber after previous acclaimed collaborations. The cast also brings together Helena Ignez, a legendary name in Brazilian cinema, and Ary França, creating a rare and powerful ensemble for this new staging.
Director Rodrigo Portella approaches the play through three layers: the symbiotic relationship between Hamm and Clov, a political allegory of power and militarism, and a metatheatrical reflection on performance itself. Supported by Daniela Thomas’s set design, which places a stage within a stage, the production highlights Beckett’s vision of theater folding in on itself. Running through May 31, 2026, at Sesc Pinheiros, Fim de Partida promises a timely and compelling revival of a modern dramatic classic.
into a timely reflection on war, power, and human fragility.
photo by Fernando Young.
Com Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França, espetáculo dirigido por Rodrigo Portella revisita a obra sob a perspectiva das tensões contemporâneas
Fim de Partida fica em cartaz de 30 de abril a 31 de maio de 2026, no Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros
Uma das obras mais celebradas do teatro do século XX está prestes a voltar aos palcos brasileiros em uma nova e potente montagem. Fim de Partida (Endgame), peça tragicômica emblemática de Samuel Beckett, estreia em 30 de abril no Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, reunindo um elenco de peso liderado por Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França. Dirigido por Rodrigo Portella e produzido por Fernando Libonati, da Pequena Central, o espetáculo revisita o clássico existencial de Beckett sob a perspectiva das tensões contemporâneas, provando que seus temas permanecem tão urgentes hoje quanto eram quando foram escritos, nos anos 1950.
Originalmente escrita em francês com o título Fin de partie, a peça estreou em Londres, em 1957, e é amplamente considerada uma das maiores realizações de Beckett. O dramaturgo irlandês, que escreveu o texto sob o impacto da Segunda Guerra Mundial, criou um universo pós-apocalíptico sombrio, onde a vida parece suspensa em uma repetição infinita e em uma permanente sensação de incerteza. No centro da história estão Hamm, um homem idoso, cego e paralítico, preso a uma cadeira de rodas, e Clov, seu criado e companheiro, incapaz de se sentar. A relação entre os dois é marcada por dependência, crueldade e aprisionamento emocional. Compartilhando o mesmo espaço claustrofóbico estão ainda Nagg e Nell, os pais idosos de Hamm, confinados dentro de latões de lixo, reforçando a atmosfera sombria, cômica e perturbadora da peça.
Mais do que um drama convencional movido por enredo, Fim de Partida se desenvolve por meio de diálogos fragmentados e afiados, além de ações cênicas aparentemente banais, criando um mundo em que o sentido é evasivo e cada gesto parece fazer parte de um jogo maior e inevitavelmente perdido. O próprio título faz referência ao xadrez, sugerindo personagens presos na fase final de uma partida que estão destinados a perder — seja uns contra os outros, seja contra o próprio destino. O crítico literário Harold Bloom descreveu Fim de Partida como “a obra literária mais original do século XX”, enquanto Beckett a considerava sua obra-prima — a expressão mais pura e concisa de sua visão artística sobre a existência humana.
in Beckett’s tragicomic masterpiece Endgame.
photo by Fernando Young.
Para Marco Nanini, o desafio de interpretar Beckett sempre foi irresistível. “Costumo dizer que Beckett fica orbitando a cabeça dos atores contemporâneos, pois oferece um imenso desafio com os múltiplos caminhos que sua obra permite”, afirma Nanini. O ator já pensava em montar algum texto do autor irlandês quando Guilherme Weber sugeriu que os dois atuassem juntos em Fim de Partida. Eles já haviam dividido o palco em montagens marcantes como Os Solitários (2002) e A Morte do Caixeiro Viajante (2004). Logo depois, reuniram Helena Ignez — nome icônico do cinema brasileiro e parceira de cena de Nanini no início da carreira — e Ary França, com quem Nanini atuou no premiado O Burguês Ridículo (1996).
bringing new depth to Beckett’s
haunting post-apocalyptic universe.
photo by Fernando Young.
O diretor Rodrigo Portella propõe três camadas de leitura para a peça. A primeira está centrada na relação profundamente simbiótica entre Hamm e Clov. A segunda apresenta a obra como uma alegoria política. “Hamm surge como um tirano arbitrário, uma figura que remete à lógica da guerra e do militarismo, cuja autoridade se sustenta no poder opressor”, explica Portella. “Clov é o corpo submisso, o soldado em vigília permanente, sempre de pé, incapaz de descansar, servindo a uma engrenagem que não faz sentido algum”. A terceira camada é metateatral. Por meio da cenografia de Daniela Thomas, o público encontra um palco dentro do palco — uma pequena caixa cênica retangular que evidencia a linguagem autorreflexiva proposta por Beckett. “Clov é o clown, o operador da cena, o ridículo, enquanto Hamm assume a figura do ator principal, o narrador canastrão sustentado pela fabulação de si mesmo”, diz Portella. “O teatro se dobra sobre si mesmo: há um teatro dentro do teatro, um palco dentro do palco”.
Mais de setenta anos após sua estreia, Fim de Partida continua ressoando com o público por sua representação contundente da fragilidade humana, das disputas de poder e da busca por sentido em um mundo em colapso. O Teatro do Absurdo de Beckett permanece surpreendentemente atual, e esta nova montagem promete trazer renovada urgência a uma das obras mais duradouras do drama moderno.
Ficha técnica
Texto: Samuel Beckett
Direção: Rodrigo Portella
Tradução: Fábio de Souza Andrade
Direção de Arte e Cenografia: Daniela Thomas
Iluminação: Beto Bruel
Trilha Original e Direção Musical: Federico Puppi
Figurino: Antonio Guedes
Assistência de Direção: Zé Mancini
Visagismo: Leila Turgante
Comunicação: Pedro Neves
Gerência de Projetos: Carolina Tavares
Produção Executiva Montagem: Ártemis
Produtor: Fernando Libonati
Produção: Pequena Central de Produções
Realização: Sesc SP
Serviço:
FIM DE PARTIDA
Temporada: 30 de abril a 31 de maio de 2026. De quarta a sábado, às 20h. Domingos e feriados, às 18h.
Nos dias 20 e 27 de maio, sessão às 17h.
Sessão com LIBRAS de 20 e 24 de maio
Local: Sesc Pinheiros – Teatro Paulo Autran
Ingressos: R$ 90 (inteira), R$ 45 (meia entrada) e R$ 27 (credencial plena). Vendas em sescsp.org.br, pelo aplicativo Credencial Sesc SP ou nas bilheterias de todas as unidades do Sesc SP.
Duração: 90 min | Classificação: 16 anos
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Sesc Pinheiros
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros - São Paulo (SP)
Horário de funcionamento: Terça a sexta: 10h às 22h. Sábados: 10h às 21h. Domingos e feriados: 10h às 18h30
Estacionamento com manobrista
Como Chegar de Transporte Público: 350m a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350m a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus).
Acessibilidade: A unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.
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