FELIZ ANO VELHO – O MUSICAL Brings Marcelo Rubens Paiva’s Landmark Memoir to Life Through Memory, Music and the Spirit of the 1980s
by Claudio Erlichman. The production runs from September 19th through November 22nd, at Teatro Sabesp Frei Caneca.
Marcelo Rubens Paiva’s acclaimed autobiographical novel Feliz Ano Velho (Happy Old Year) is coming to the stage in its first musical adaptation, opening September 19 at Teatro Sabesp Frei Caneca in São Paulo. Directed by Gustavo Barchilon and adapted by Marilia Toledo, the production runs through November 22, 2026, and is produced by Barho Produções – by Thiago Hofman and Barchilon. The cast features Hugo Bonèmer as Marcelo Rubens Paiva, Bruno Garcia as Marcelo and Rubens Paiva, and Heloísa Périssé as Eunice Paiva, alongside Abrahão Costa, Bibi Tolentino, Giselle Lima, Ingrid Gaigher, João Côrtes, Lázaro Menezes, Lia Canineu, Luciano Mallmann, Mateus Ribeiro, Mattilla, Renan Mattos, Sabrina Korgut and Tuna Dwek as a special guest actress. Marcelo Rubens Paiva is also the author of the autobiographical book I’m Still Here, which inspired the film that won the 2025 Academy Award for Best International Feature Film.
First published in 1982, Feliz Ano Velho became a defining book for a generation of Brazilian readers. Paiva recounts the accident that left him tetraplegic after a dive into a lake in 1979, while also exploring his childhood, youth, relationships, music and political engagement during Brazil’s military dictatorship. The disappearance of his father, former federal deputy Rubens Paiva, who was taken from the family home by military personnel and never returned, runs as a powerful thread throughout the memoir. Written in a direct, conversational and often ironic voice, the book combines humor and vulnerability while refusing to portray its author simply as either a victim or a hero. The work won several awards, including the Jabuti, was translated into numerous languages and previously received a celebrated stage adaptation in 1983.

The new musical brings the story together with the unforgettable Brazilian music of the 1980s, featuring songs associated with Legião Urbana, Titãs, Lulu Santos and Barão Vermelho. Rather than offering a literal reconstruction of the period, Barchilon seeks a timeless theatrical language in which music, text, image, movement and acting become part of the storytelling. “The production seeks a language different from what we are accustomed to seeing in traditional musicals,” the director explains. “Just as Feliz Ano Velho brought a new language to the literature of its time, I want the production to find a new way of communicating with today’s audience.” The physical language created by Gabriel Mallo and the musical arrangements by Carlos Bauzys are also central to the production, with the number “O Que Será” emerging as one of its particularly striking moments.
Having had the opportunity to attend a rehearsal and the production’s sitzprobe, it was striking to see how the musical already connected the personal memories of Paiva’s generation with a contemporary theatrical vocabulary, even before the finished scenery, costumes and lighting were in place. For those who read the book when it was first published and experienced the music of the 1980s firsthand, the production offers an especially evocative encounter with a formative period of Brazilian culture. Yet Feliz Ano Velho – O Musical is not simply an exercise in nostalgia: it transforms one man’s memories of loss, recovery, youth, friendship, love and resilience into a collective theatrical experience — one that aims to make audiences laugh, become emotional and perhaps recognize something of themselves in Marcelo’s story.
photo by Andy Santana.
Com direção de Gustavo Barchilon e adaptação de Marilia Toledo, Feliz Ano Velho – O Musical transforma o livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva em uma experiência cênica que combina memória, humor, emoção, música ao vivo e grandes sucessos do rock brasileiro dos anos 1980 como Legião Urbana, Titãs, Lulu Santos e Barão Vermelho. A temporada estreia em 19 de setembro, no Teatro Sabesp Frei Caneca, em São Paulo. Ingressos na uhuu.com.
Uma das obras marcantes da literatura brasileira está prestes a ganhar uma nova vida nos palcos. Feliz Ano Velho – O Musical, baseado no romance autobiográfico do escritor, dramaturgo e jornalista paulista Marcelo Rubens Paiva, estreia em 19 de setembro, no Teatro Sabesp Frei Caneca, em São Paulo, onde permanece em cartaz até 22 de novembro de 2026. Marcelo Rubens Paiva é também o autor de Ainda Estou Aqui, livro autobiográfico que inspirou o filme vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025. Dirigido por Gustavo Barchilon e com adaptação de Marilia Toledo, o espetáculo é produzido pela Barho Produções – de Thiago Hofman e Barchilon, e reúne um grande elenco, liderado por Hugo Bonèmer, Bruno Garcia e Heloísa Périssé.
Publicado originalmente em 1982, Feliz Ano Velho tornou-se uma das obras literárias definidoras de sua geração. Escrito em uma linguagem direta, coloquial e frequentemente irreverente, Paiva narra as consequências dramáticas de um acidente ocorrido em dezembro de 1979, quando um mergulho em uma lagoa próxima à Rodovia dos Bandeirantes o deixou tetraplégico. Mas o livro é muito mais do que um relato de reabilitação física. É também um retrato da juventude, da sexualidade, da amizade, da música, do engajamento político e da luta pela recuperação da independência — tudo filtrado pelo humor, pela ironia, pela vulnerabilidade e pela recusa do autor em se apresentar como vítima ou herói. A história pessoal é inseparável da história política do Brasil. Durante a ditadura militar, as memórias de Paiva também revisitam o desaparecimento de seu pai, o ex-deputado federal Rubens Paiva, levado da casa da família por militares e que jamais retornaria, fatos estes retratados no já citado filme Ainda Estou Aqui. Essa ausência se transforma em um dos fios emocionais que atravessam a narrativa. Ao mesmo tempo, Marcelo recorda sua infância e adolescência, seus relacionamentos amorosos, seu interesse pela música e sua participação no movimento estudantil enquanto cursava Engenharia Agrícola na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O resultado é um retrato extremamente íntimo de um jovem tentando compreender tanto seu corpo transformado quanto o país em transformação ao seu redor. Agora, mais de quatro décadas depois de sua publicação, a história é transformada em musical sem tentar reproduzir os anos 1980 como uma espécie de peça de museu. Em vez disso, a produção utiliza a música daquele período como uma ponte emocional entre gerações. Canções associadas a Legião Urbana, Titãs, Lulu Santos e Barão Vermelho, entre outros nomes inesquecíveis do rock e do pop brasileiro, passam a integrar uma linguagem teatral na qual memória, música, imagem e atuação se encontram.
“A montagem busca uma linguagem diferente daquela que estamos acostumados a ver nos musicais tradicionais”, afirma o diretor Gustavo Barchilon. “Com uma estética atemporal, música, texto, imagem e atuação se misturam para contar essa história de um jeito novo. Assim como Feliz Ano Velho trouxe uma nova linguagem para a literatura de sua época, quero que o espetáculo também encontre uma nova forma de se comunicar com o público de hoje”. Barchilon acrescenta que a concepção visual deliberadamente se distancia de uma reconstrução literal do período. “Figurinos, espaço e linguagem se afastam da reconstrução histórica para concentrar o olhar no ator, na palavra e nas relações”. Essa abordagem é particularmente adequada a uma obra cuja narrativa original é não linear e profundamente subjetiva. As memórias em primeira pessoa de Paiva transitam livremente entre passado e presente, utilizando frequentemente o sarcasmo e o humor para enfrentar frustrações, perdas, desejos e o doloroso processo de adaptação a uma vida radicalmente transformada. Suas imperfeições também fazem parte desse retrato: ele reconhece abertamente sua vaidade, imaturidade, preconceitos e fraquezas. É justamente essa recusa em idealizar a própria imagem que ajudou a fazer de Feliz Ano Velho uma obra tão poderosa para várias gerações de leitores.
photo by Andy Santana.
O livro recebeu diversos prêmios, entre eles o Jabuti, e foi traduzido para vários idiomas. Seu impacto foi reforçado por uma aclamada adaptação teatral em 1983, dirigida por Paulo Betti e adaptada por Alcides Nogueira, com um elenco que incluía Denise Del Vecchio, Lilia Cabral, Adilson Barros, Christiane Rando e Marcos Frota. O musical representa agora mais um capítulo na longa trajetória teatral da obra. No centro da nova produção está Hugo Bonèmer como Marcelo Rubens Paiva, ao lado de Bruno Garcia, que interpreta Marcelo e Rubens Paiva, e Heloísa Périssé como Eunice Paiva. O elenco também reúne Abrahão Costa, Bibi Tolentino, Giselle Lima, Ingrid Gaigher, João Côrtes, Lázaro Menezes, Lia Canineu, Luciano Mallmann, Mateus Ribeiro, Mattilla, Renan Mattos, Sabrina Korgut e Tuna Dwek em participação especial.
A oportunidade que tive de acompanhar um ensaio e, posteriormente, a sitzprobe — ensaio em que elenco e músicos trabalham juntos o material musical — na semana passada permitiu uma primeira percepção de como esse conceito está tomando forma. Mesmo sem o cenário, os figurinos e a iluminação definitivos, a combinação entre interpretação, movimento e música já revelava a arquitetura emocional do espetáculo, o que veio a se confirmar na coletiva à qual comparecemos quando pudemos apreciar dois números do musical assim como os cenários e figurinos já prontos. Para aqueles que cresceram no Brasil durante os anos 1980, a experiência pode ser particularmente evocativa. Feliz Ano Velho não foi simplesmente mais um best-seller: tornou-se um fenômeno geracional. Muitos leitores tiveram contato com o livro ainda na escola, justamente em uma idade em que as questões de liberdade, sexualidade, amizade, identidade e futuro vividas pelo protagonista podiam adquirir um significado profundamente pessoal. As músicas que agora aparecem no musical também fizeram parte da trilha sonora do amadurecimento daquela geração da qual fiz parte. Assistir ao musical tomando forma pode, portanto, nos provocar uma curiosa experiência de dupla perspectiva: o público acompanha a história de Marcelo enquanto simultaneamente revisita suas próprias memórias. O resultado não é apenas nostalgia, mas um diálogo entre memória pessoal e história coletiva.
photo by Andy Santana.
Entre os destaques musicais já perceptíveis está o número O Que Será, cujo arranjo de Carlos Bauzys – que além de arranjador também é o diretor musical – confere à canção uma dimensão dramática particularmente marcante, assim como em Geração Coca-Cola e Que País é Este, apresentados durante a coletiva de imprensa. A linguagem corporal do espetáculo, desenvolvida com Gabriel Mallo, é outro elemento importante, especialmente na maneira como o corpo de Marcelo e sua relação transformada com o movimento passam a fazer parte da narrativa, e não apenas a funcionar como um detalhe da história. O que torna Feliz Ano Velho – O Musical particularmente interessante é justamente essa combinação de elementos. É um musical biográfico, mas não um musical biográfico convencional. É uma história sobre deficiência, mas não exclusivamente sobre deficiência. Aborda a ditadura e o trauma político, mas também abraça o humor, o romance, a música, a amizade e as contradições — muitas vezes desconcertantes — do processo de amadurecimento.
Mais de quarenta anos depois de Marcelo Rubens Paiva colocar suas memórias no papel, as questões centrais de Feliz Ano Velho continuam surpreendentemente atuais: como reconstruir uma vida depois que tudo muda? Como lembrar a pessoa que fomos? E como seguir em frente quando o passado se recusa a desaparecer? A resposta do musical é teatral, e não literal. Ele reúne atores, músicos, palavras, movimento e canções para transformar as memórias de um homem em uma experiência coletiva. E talvez essa seja a maneira mais adequada de revisitar Feliz Ano Velho hoje: não como um monumento ao passado, mas como uma obra viva da dramaturgia brasileira — capaz de fazer uma plateia rir, lembrar, se emocionar e, finalmente, reconhecer algo de si mesma no palco. Isso sim é teatro autoral brasileiro. Isso sim é um musical biográfico honesto. E isso sim é entretenimento: uma história que emociona, diverte e, ao mesmo tempo, faz a gente se reconhecer dentro dela.
photo by Andy Santana.
Ficha técnica:
Diretor Geral: Gustavo Barchilon
Diretor de Produção: Thiago Hofman
Dramaturgia: Marilia Toledo, a partir do texto original de Alcides Nogueira, inspirado no romance de Marcelo Rubens Paiva
Diretora Associada: Daniela Stirbulov
Diretora Residente: Vanessa Costa
Diretor Musical e Arranjador: Carlos Bauzys
Assistente de Direção Musical: Diego Salles
Cenógrafa: Natália Lana
Coreógrafo: Gabriel Malo
Designer de Luz: Maneco Quinderé
Designer de Som: Gustavo Inca
Designer de Vídeo: André Voulgaris
Figurinista: Karen Brusttolin
Visagista: Feliciano San Roman
Elenco:
Hugo Bonèmer (Marcelo Rubens Paiva)
Bruno Garcia (Marcelo Rubens Paiva / Rubens Paiva)
Heloísa Périssé (Eunice Paiva)
Abrahão Costa
Bibi Tolentino
Giselle Lima
Ingrid Gaigher
João Côrtes
Lázaro Menezes
Lia Canineu
Luciano Mallmann
Mateus Ribeiro
Mattilla
Renan Mattos
Sabrina Korgut
Tuna Dwek
Serviço
Local: Teatro Sabesp Frei Caneca
Endereço: Rua Frei Caneca, 569, 7º andar - Consolação
Datas: 19 de setembro a 22 de novembro de 2026
Horários: sexta-feira, às 20h | sábado, às 17h e às 20h | domingo, às 15h e às 18h
Capacidade: 600 lugares
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 100 minutos
Abertura da casa: 1 hora antes de cada espetáculo.
CANAIS DE VENDAS OFICIAIS
Internet (com taxa de serviço): uhuu.com
Bilheteria do Teatro Sabesp Frei Caneca (sem incidência de taxa de serviço):
Shopping Frei Caneca: Rua Frei Caneca, nº 569, 7º Piso - Consolação.
Horário de funcionamento: terça-feira a domingo, das 12h às 15h e das 16h às 19h.
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