Skip to main content
My Shows
News on your favorite shows, specials & more!

VINDOS DE LONGE (Come From Away) Lands at Teatro Ruth Escobar, With Heart, Humor, and Hope

by Claudio Erlichman. Now on stage at Teatro Ruth Escobar, the production runs until August 02nd.

By:
VINDOS DE LONGE (Come From Away) Lands at Teatro Ruth Escobar, With Heart, Humor, and Hope

São Paulo - Brazil The Brazilian production of Come From Away has landed at São Paulo's historic Teatro Ruth Escobar, marking not only the arrival of one of the most celebrated musicals of the past decade but also the reopening of the venue's Sala Dina Sfat as part of the theater's long-awaited revitalization by VME – Vinicius Munhoz Entretenimento. Based on the remarkable true story that unfolded after the September 11, 2001 terrorist attacks, the musical recounts how the small town of Gander, Newfoundland, welcomed nearly 6,700 stranded airline passengers after 38 international flights were diverted to Canada during Operation Yellow Ribbon. What could have been a simple historical retelling becomes a deeply moving celebration of compassion, generosity, and the resilience of ordinary people.

VINDOS DE LONGE (Come From Away) Lands at Teatro Ruth Escobar, With Heart, Humor, and Hope Image

Directed by Rafael Gomes, the Brazilian production embraces the show's minimalist aesthetic with remarkable effectiveness. Wagner Antônio's flexible scenic design relies on little more than chairs and carefully crafted stage movement to transform the space into airplanes, buses, community centers, and homes, while his sophisticated lighting design creates striking visual atmospheres throughout the performance. The simplicity of the production allows the audience to focus entirely on the storytelling and the emotional connections between characters, proving that theatrical imagination often has greater impact than elaborate spectacle.

A superb ensemble brings dozens of real-life characters to the stage with extraordinary versatility, seamlessly shifting between residents of Gander and stranded travelers through subtle changes in voice, posture, and costume pieces. Rather than relying on individual star turns, the cast functions as a true collective, reflecting the spirit of the community at the heart of the story. Guided by Gui Leal's accomplished musical direction, the production also captures the distinctive Celtic and Irish folk influences of Newfoundland's musical traditions, while Mariana Elisabetsky's Brazilian Portuguese adaptation preserves both the humor and emotional depth of the original score.

Although set against one of the darkest moments of the 21st century, Come From Away ultimately focuses on hope instead of tragedy. The musical acknowledges the lasting impact of 9/11—including fear, prejudice, and uncertainty—while reminding audiences that empathy can flourish even in moments of crisis. With intelligent direction, heartfelt performances, and a deeply human message, this Brazilian production stands as both a moving theatrical experience and a timely reminder that acts of kindness can become extraordinary when the world needs them most.

VINDOS DE LONGE (Come From Away) Lands at Teatro Ruth Escobar, With Heart, Humor, and Hope Image
photo by João Caldas Filho.

Há musicais que impressionam pelo gigantismo de suas produções. Outros encantam pelo virtuosismo técnico ou pela grandiosidade de seus números musicais. E há aqueles, mais raros, cuja maior força reside na simplicidade de sua proposta e na profunda humanidade de sua narrativa. Vindos de Longe, versão brasileira do premiado musical canadense Come From Away, pertence a essa última categoria. Inspirado em uma das histórias mais extraordinárias surgidas após os atentados de 11 de setembro de 2001, o espetáculo emociona justamente por mostrar que, mesmo diante da maior tragédia, ainda existe espaço para a solidariedade.

À primeira vista, a premissa parece pouco promissora para um musical de sucesso. Afinal, como transformar em teatro musical a história de moradores de uma pequena cidade canadense que acolhem milhares de passageiros retidos por alguns dias? Sem grandes vilões, romances arrebatadores ou conflitos tradicionais, o enredo parece desafiar todas as convenções do gênero. No entanto, David Hein e Irene Sankoff — responsáveis pelo libreto, letras e música — demonstram que grandes espetáculos podem nascer das histórias mais simples. O resultado é uma obra profundamente emocionante, divertida, espirituosa e surpreendentemente otimista. O espetáculo que estreou no Canadá, conquistou o circuito americano, chegou à Broadway e acumulou indicações e prêmios importantes, tornando-se um dos musicais mais celebrados da última década. A narrativa baseia-se em acontecimentos reais ocorridos imediatamente após os ataques terroristas de 11 de setembro. Com o fechamento do espaço aéreo norte-americano, o governo canadense colocou em prática a chamada Operação Fita Amarela (Operation Yellow Ribbon), desviando mais de duzentas aeronaves internacionais para aeroportos do Canadá.

Entre eles estava o Aeroporto Internacional de Gander, na ilha de Terra Nova, antiga escala obrigatória durante a era dos voos transatlânticos, cuja infraestrutura permitia receber simultaneamente dezenas de grandes aeronaves. Em apenas algumas horas, 38 aviões pousaram na pequena cidade, trazendo aproximadamente 6.700 passageiros — praticamente dobrando a população local durante cinco dias. Sem qualquer preparação, os moradores transformaram escolas, igrejas, ginásios, centros comunitários e salões paroquiais em abrigos improvisados. Enquanto os passageiros permaneciam horas confinados dentro dos aviões, sem saber exatamente o que havia acontecido, centenas de voluntários organizavam colchões, roupas, alimentos, remédios e artigos de higiene.

Como, por questões de segurança, ninguém tinha acesso às próprias bagagens, rapidamente começaram campanhas espontâneas de arrecadação. Escovas de dentes, roupas íntimas, fraldas, cobertores, brinquedos para crianças, absorventes e roupas limpas chegavam em quantidade impressionante. Os supermercados tiveram suas prateleiras completamente esvaziadas. A pista de gelo da cidade foi transformada em uma gigantesca câmara frigorífica para armazenar montanhas de alimentos preparados pelos próprios moradores. E tudo isso sem que ninguém esperasse qualquer recompensa. Essa impressionante mobilização coletiva tornou-se símbolo mundial de empatia — e é justamente essa humanidade que Vindos de Longe celebra.

VINDOS DE LONGE (Come From Away) Lands at Teatro Ruth Escobar, With Heart, Humor, and Hope Image
Courtesy Gander Airport Historical Society.

Um musical sobre pessoas comuns
Ao contrário da maioria dos musicais contemporâneos, Vindos de Longe não constrói sua narrativa sobre um único protagonista. O verdadeiro personagem principal é uma comunidade inteira. David Hein e Irene Sankoff resgatam um conceito quase clássico do teatro: o coro como narrador coletivo. Aqui, porém, ele ganha uma linguagem moderna, dinâmica e extremamente eficiente. O elenco não interpreta apenas personagens individuais; torna-se uma representação viva daquela sociedade, alternando constantemente entre moradores de Gander e passageiros vindos dos mais diversos países. Essa estrutura poderia facilmente tornar a narrativa confusa. Não acontece. Pelo contrário: a construção dramatúrgica é de uma clareza impressionante.

A versão brasileira chega ao Teatro Ruth Escobar com um significado adicional. Além de apresentar um dos musicais mais celebrados das últimas décadas, inaugura a primeira fase da revitalização do histórico espaço teatral paulistano, agora administrado pela VME – Vinicius Munhoz Entretenimento. A reabertura da Sala Dina Sfat devolve um importante palco ao circuito cultural justamente num momento em que o teatro musical brasileiro vive uma expansão inédita.

Uma encenação que prova que menos pode ser muito mais
Uma das maiores qualidades da montagem dirigida por Rafael Gomes é compreender perfeitamente a essência da obra. Não há qualquer tentativa de transformar Vindos de Longe em um espetáculo grandioso ou visualmente extravagante. Ao contrário: toda a encenação aposta na economia de recursos, permitindo que o foco permaneça integralmente nas pessoas e em suas histórias. A direção compreende que Vindos de Longe é um musical essencialmente de ensemble. Não existe um protagonista absoluto. Cada personagem, por menor que seja sua participação, representa uma peça indispensável de um enorme mosaico de experiências. O espetáculo se constrói como uma sucessão de pequenas histórias que, reunidas, revelam um retrato emocionante da capacidade humana de acolher o outro.

O cenário criado por Wagner Antônio é extremamente minimalista. Poucos elementos ocupam o palco, enquanto a excelente banda de nove músicos permanece discretamente posicionada nas laterais do palco, quase integrada à ação. O verdadeiro cenário, entretanto, nasce do movimento. Algumas cadeiras, organizadas em diferentes formações, transformam-se sucessivamente em aviões, ônibus, salas de espera, centros comunitários, pubs, escolas ou residências. Essa coreografia cênica é executada com tamanha precisão que praticamente elimina a necessidade de mudanças de cenário.

O grande destaque visual, contudo, é o sofisticado desenho de iluminação, também assinado por Wagner Antônio. Utilizando tecnologia pouco comum nos palcos brasileiros, o projeto cria atmosferas completamente distintas apenas através da luz, modificando a percepção espacial do palco e oferecendo ao espetáculo uma dimensão sensorial extremamente refinada. É um excelente exemplo de como soluções aparentemente simples podem produzir resultados de enorme impacto.

VINDOS DE LONGE (Come From Away) Lands at Teatro Ruth Escobar, With Heart, Humor, and Hope Image
Guided by an energetic folk-inspired score, the cast celebrates the resilience and generosity that turned tragedy into hope.
photo by João Caldas Filho.

Um elenco extraordinário
Toda essa simplicidade cenográfica exige que a responsabilidade dramática recaia integralmente sobre o elenco. E o grupo responde de forma brilhante. Reunindo nomes importantes do teatro musical brasileiro — Saulo Vasconcelos, Neusa Romano, Nábia Villela, Thais Piza, Bruno Narchi, Andrezza Massei, Luiza Porto, Andrea Marquee, Isaac Belfort, Rodrigo Miallaret, Davi Novaes, Eduardo Leão, Enrico Verta, Rupa, Ana Araújo e Bia Castro — a montagem demonstra um raro espírito coletivo. Todos permanecem praticamente o tempo inteiro em cena.

Mais impressionante ainda é observar como cada ator interpreta múltiplos personagens, diferenciando-os apenas por pequenas mudanças de postura, sotaque, ritmo de fala, um boné, um casaco ou um simples acessório. Em nenhum momento o público se perde. Pelo contrário: a fluidez das transformações torna-se parte do encanto do espetáculo. Talvez justamente por retratar pessoas reais, as interpretações evitam qualquer excesso melodramático. Há delicadeza, naturalidade e enorme respeito pelas histórias retratadas.

Entre os diversos núcleos narrativos, alguns momentos permanecem especialmente marcantes: a mãe que aguarda notícias do filho bombeiro desaparecido nas Torres Gêmeas; o romance inesperado entre uma executiva texana e um inglês tímido; o casal homoafetivo receoso da reação de uma cidade pequena; os passageiros africanos que confundem integrantes do Exército da Salvação com militares armados; e o emocionante momento em que um rabino ortodoxo conduz uma oração ecumênica pela paz, uma das cenas mais comoventes da montagem que sintetiza, sem discursos grandiloquentes, uma das mensagens centrais da obra: diante da tragédia, as diferenças perdem importância. Também merece destaque a construção do personagem Ali, um chef de cozinha muçulmano injustamente alvo da crescente desconfiança dirigida ao mundo árabe. Sua trajetória antecipa a islamofobia que marcaria profundamente as décadas seguintes.

Música que nasce da própria comunidade
A trilha composta por Hein e Sankoff possui personalidade própria. Longe da estrutura tradicional dos grandes musicais americanos, as canções incorporam intensamente a música folclórica de Terra Nova, profundamente influenciada pelas tradições gaélicas, celtas e irlandesas. Sons de violinos, acordeões, bodhráns, além de ritmos dançantes e harmonias corais criam uma identidade sonora muito particular. Ao mesmo tempo, a partitura apresenta enorme complexidade técnica. Muitas cenas alternam continuamente entre texto falado e canto, exigindo absoluta precisão do elenco. O excelente trabalho de direção musical de Gui Leal garante unidade e clareza a essa escrita sofisticada.

Entre os muitos momentos musicais, destaca-se Entre Mim e o Céu (Me and the Sky), um dos solos mais emocionantes do espetáculo, que sintetiza perfeitamente o impacto humano daquela tragédia. A versão brasileira assinada por Mariana Elisabetsky preserva com sensibilidade tanto o humor quanto a emoção do texto e das letras originais, realizando uma adaptação fluida e extremamente natural.

VINDOS DE LONGE (Come From Away) Lands at Teatro Ruth Escobar, With Heart, Humor, and Hope Image
Creative lighting and an elegantly simple scenic design place storytelling and human connection at the center of the production.
photo by João Caldas Filho.

 Uma reflexão necessária sobre um mundo transformado
Embora celebre a solidariedade, Vindos de Longe jamais ignora o peso histórico do 11 de setembro. Ao longo da narrativa, percebe-se como aquele episódio alterou definitivamente a percepção de segurança do Ocidente e inaugurou um período marcado pelo crescimento da xenofobia, do autoritarismo, das guerras no Oriente Médio e da intolerância religiosa.

Ao mesmo tempo, o espetáculo evita transformar-se em uma reflexão política. Seu verdadeiro interesse está nas pequenas histórias humanas. Enquanto o mundo parecia desmoronar diante das imagens das Torres Gêmeas, milhares de desconhecidos descobriram que ainda eram capazes de cuidar uns dos outros. É justamente essa escolha narrativa que diferencia Vindos de Longe de tantas obras produzidas sobre o tema. Em vez de concentrar-se na destruição, escolhe contar a história daqueles que decidiram construir.

Uma celebração da empatia
Em tempos frequentemente marcados pelo individualismo e pela polarização, Vindos de Longe surge como um poderoso lembrete de que a bondade continua sendo uma das maiores forças da humanidade. Sem recorrer ao sentimentalismo fácil, a montagem emociona pela sinceridade de sua narrativa, pela inteligência de sua encenação e pela impressionante entrega de seu elenco.

Mais do que um musical sobre os atentados de 11 de setembro, trata-se de uma celebração da capacidade humana de acolher o outro justamente quando tudo parece perdido. Poucos espetáculos conseguem deixar o público emocionado sem recorrer a grandes efeitos. Vindos de Longe consegue isso apenas contando uma boa história — uma história real, extraordinária e, acima de tudo, profundamente humana. Ao final da apresentação, fica evidente que o verdadeiro protagonista nunca foi a tragédia. Foi a solidariedade. E talvez seja exatamente dessa lembrança que o mundo continue precisando.

VINDOS DE LONGE (Come From Away) Lands at Teatro Ruth Escobar, With Heart, Humor, and Hope Image
The Brazilian cast of Come From Away brings the remarkable true story of Gander's extraordinary act of kindness to life
at Teatro Ruth Escobar.
photo by João Caldas Filho.


VINDOS DE LONGE (Come From Away)

Ficha Técnica: 
Diretor
- Rafael Gomes
Versão Brasileira - Mariana Elisabetsky 
Diretor Musical - Gui Leal 
Diretor de Movimento - Fabricio Licursi
Cenógrafo e Iluminador - Wagner Antonio
Figurinista - Jemima Tuany e Marco Pacheco
Design de Som - Gaston Brisky
Assistente de Direção - Victor Delboni

Elenco:
Saulo Vasconcelos, Neusa Romano, Nábia Villela, Thais Piza, Bruno Narchi, Andrezza Massei, Luiza Porto, Andrea Marquee, Isaac Belfort, Rodrigo Miallaret, Davi Novaes, Eduardo Leão, Enrico Verta, Rupa, Ana Araújo e Bia Castro

SERVIÇO
Temporada:
 26 de junho a 02 de agosto de 2026 - quinta a domingo.
Abertura da casa: 1h antes do show
Horário do show: Quinta e sexta às 20h30, Sábado às 17h00 e 20h30 e Domingo às 17h00 
(Pode haver alteração de horário, datas e elenco em caso de força maior, sendo comunicado via redes sociais ou e-mail)
Duração: 100 minutos
Classificação etária: 10 anos. Menores apenas acompanhados dos responsáveis legais. (sujeito à alteração por decisão judicial).
Local: Teatro Ruth Escobar - Sala Dina Sfat (390 lugares)
Endereço: Rua dos Ingleses, 209 - Morro dos Ingleses, São Paulo - SP, 01329-000

INGRESSOS
Vendas e valores: https://www.ticketmaster.com.br/event/vindos-de-longe-teatro-ruthescobar

Don't Miss a Brazil News Story
Sign up for all the news on the Summer season, discounts & more...


BroadwayWorld TV