BWW Review: JOSEPHINE BAKER, A VENUS NEGRA at Teatro SESC 24 De Maio

BWW Review: JOSEPHINE BAKER, A VENUS NEGRA at Teatro SESC 24 De Maio

The story of French-born American dancer, singer, actress and comedian Josephine Baker (1906-1975) who conquered the world with her art and talent, despite criticism of her rebellious and liberal lifestyle. It is this woman and artist that the musical show intends to present to the public. On stage, wild dance, sensuality and debauchery. Outside of it, the struggle for racial equality, the defense of miscegenation and harmonious coexistence among peoples.

O mito de Cinderela. Era como Josephine Baker via sua vida: uma menina negra, pobre, nascida em St. Louis, Missouri / EUA, num período de intensa discriminação e segregação racial, que se tornou uma das artistas mais célebres de sua época. Com sua dança selvagem e as caretas que fazia em cena, e posteriormente com seu surpreendente refinamento, tornou-se uma aclamada cantora francesa, mas sem nunca abandonar seu entusiasmo e sua voracidade em cena, valendo-se sempre do humor e do deboche para conquistar e alegrar seu público.

BWW Review: JOSEPHINE BAKER, A VENUS NEGRA at Teatro SESC 24 De Maio
Aline Deluna as Josephine Baker
photo by: Lu Valiatti

É essa mulher e artista à frente de seu tempo que o espetáculo "Josephine Baker, a Vênus Negra", com texto de Walter Daguerre e direção de Otavio Muller, pretende apresentar ao público. No papel de Josephine Baker, Aline Deluna que, além de cantar e dançar, se parece fisicamente com Baker. Acompanhando a atriz, o trio de jazz formado pelos músicos Dany Roland (bateria e percussão), Christiano Sauer (contrabaixo, violão e guitarra) e Jonathan Ferr (piano e escaleta).

Através da dramaturgia, da música ao vivo, dança e humor, "Josephine Baker - a Vênus Negra" aborda questões sociais e culturais em discussão ainda nos dias de hoje, como a discriminação racial, a censura dentro da arte, o valor do saber acadêmico versus o conhecimento prático e a indagação de qual é o papel da arte e do artista frente à sociedade.

Percorrer a vida de Josephine Baker é fazer uma viagem no tempo, quando o jazz, até então "música de negros", passa a ser reconhecido como arte e absorvido com entusiasmo pelos brancos; é acompanhar, pelo olhar de quem viveu, a busca por seu lugar em uma sociedade organizada e dominada por brancos.

A dança selvagem de Josephine Baker forçou os limites da arte, do improviso, do sensual, do deboche, expressando algo que não se encaixava no saber acadêmico, mas que se criava no seu próprio fazer. Fora do palco ela também lutou, ora valendo-se de seus privilégios de artista para colher informações para o governo de De Gaulle durante a Segunda Guerra Mundial, ora adotando 12 crianças de etnias diferentes, criadas juntas, levando em conta suas diferentes crenças e valores. Josephine as chamava de "tribo arco-íris", pois reuniam diversas nacionalidades e cores - coreana; japonesa; colombiana; finlandesa; canadense; judaico-francesa; argelina; costa-marfinense; venezuelana; francesa (dois), e marroquina.

"(...) chegamos ao conceito da peça depois de 'esbarrarmos' em Oswald de Andrade. Ele e Tarsila do Amaral hospedaram Miss Baker quando ela esteve pela primeira vez no Brasil. Oswald acabou nos influenciando muito e nosso espetáculo ganhou contornos Tropicalista-Antropofágicos. O que tem tudo a ver com Josephine Baker, que defendia a miscigenação, portanto a mistura, como caminho para a harmonia entre os povos.", conta o autor, Walter Daguerre.

Josephine Baker E ALINE DELUNA - DUAS MUSAS INSPIRADORAS
"Escrevi 'Josephine Baker - A Vênus Negra' para Aline Deluna. Ela é minha musa inspiradora, uma atriz fantástica que além de cantar, dançar e ser muito divertida, é extremamente flexível e disponível ao jogo do teatro. Isso foi fundamental para este processo, pois o espetáculo foi sendo construído como conceito, dramaturgia e cena ao longo dos ensaios. É claro que estamos contando a história de Josephine Baker, uma das mulheres mais influentes do Século XX. Para se ter uma ideia, ela foi condecorada pelo General De Gaulle pela sua atuação ao lado da Resistência francesa contra a ocupação nazista. Mas a forma como estamos narrando sua trajetória é completamente singular, passando, em primeiro lugar, pelo filtro da nossa atriz. Tanto é assim, que Aline está em cena acompanhada apenas por um trio de Jazz.", explica o autor.

Otavio Muller também foi inspirado pela atriz: "Aline é uma força da natureza, me estimula, gosto do ator que também cria. É assustador: ela canta pra caramba, dança pra caramba. Em alguns momentos o que temos em cena é um zoom nela. Para mim, é Aline Baker."

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Aline Deluna as Josephine Baker
photo by: Lu Valiatti

A MONTAGEM
Otavio Muller
optou por usar o palco como uma tela em branco, onde tudo será construído diante dos olhos do espectador: "Aline brinca, não incorpora a Josephine todo o tempo. Mostramos todos os truques - ela recebe o público antes, com roupa normal, e depois vai se montando. Às vezes ela conta a história, e às vezes vive aJosephine. O palco é uma página em branco, e nós vamos, levados pelo talento da Aline. Gosto muito da ideia de o palco deixar a gente sonhar."

Um trio de jazz acompanha a atriz: Dany Roland (bateria e percussão), Christiano Sauer (contrabaixo, violão e guitarra) e Jonathan Ferr (piano e escaleta). Eles são também atores, tem suas cenas ao logo do espetáculo e participaram de todo o processo de criação.

A ORIGEM DO PROJETO
É da atriz Aline Deluna o projeto de levar a vida de Josephine Baker à cena: "Josephine apareceu para mim através de um amigo muito especial, o psicanalista e dramaturgo Antonio Quinet, como referência para um trabalho que fazíamos na época. Impossível não se impactar e interessar imediatamente por aquela figura magrela semi nua lançando pernas e braços para o ar enquanto revirava os olhos como se debochasse da própria sexualidade. Fui em busca de conhecer mais sobre essa personagem e cada dado novo me fazia ficar mais apaixonada. Palhaça, bailarina, cantora, atriz, militante, mãe, são algumas formas de descrever JosephineBaker, mas o que melhor a define para mim é o amor. A forma amorosa e carinhosa com a qual é lembrada pelas pessoas demonstra não só uma artista deslumbrante, mas um ser humano incrível."

Josephine Baker, A Vênus Negra

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Aline Deluna as Josephine Baker
photo by: Lu Valiatti


Ficha técnica:
Texto: Walter Daguerre
Direção: Otavio Muller
Direção musical: Dany Roland
Direção de movimento: Marina Salomon
Elenco:
-Aline Deluna (Josephine Baker),
-Dany Roland (bateria e percussão),
-Christiano Sauer (contrabaixo, violão e guitarra) e
-Jonathan Ferr (piano e escaleta)
Cenário e Figurinos: Marcelo Marques
Iluminação: Paulo César Medeiros
Projeto de som: Branco Ferreira
Preparação vocal: Débora Garcia
Visagismo: Guto Leça

Assistência de Dramaturgia: Fabrício Branco
Assistência de Direção e Produção: Luísa Reis
Programação Visual: Cacau Gondomar
Fotografia: Lucio Luna
Mídias Sociais: Leo Ladeira
Direção de Produção: Alice Cavalcante e Ana Velloso
Produção Executiva: Alice Cavalcante, Ana Velloso e Vera Novello
Realização: Sábios Projetos e Lúdico Produções Artísticas

Serviço:
Local: Teatro SESC 24 de Maio (1º subsolo)
Rua 24 de Maio, 109, centro.

Quinta a sábado, 21h; domingo e feriados, 18h. R$ 40,00.
Até 16 de setembro.

Duração: 80 min
Não é permitida a entrada após o início do espetáculo
Venda limitada a 4 ingressos por pessoa

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From This Author Claudio Erlichman

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