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Review: tick, tick... BOOM! Moves Audiences by Transforming Jonathan Larson's Own Life Into a Powerful Manifesto on Art, Time, and Hope

by Claudio Erlichman. Now on stage at Teatro Viradalata, the production runs until July 19th.

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Review: tick, tick... BOOM! Moves Audiences by Transforming Jonathan Larson's Own Life Into a Powerful Manifesto on Art, Time, and Hope

São Paulo - Brazil — Following a successful run in Rio de Janeiro, tick, tick... BOOM! arrives in São Paulo for a limited engagement at Teatro Viradalata through July 19. Produced by Play It! Produções, the new Brazilian staging stars Matheus Boa as Jon, alongside Camille Dutra as Susan and Diego Montez as Michael, under the direction of Luiza Lewicki, Julia Varga, and Marcela Pires, with musical direction by Caio Loureiro. Written by Rent creator Jonathan Larson, the autobiographical musical has remained one of contemporary musical theater's most beloved works since its acclaimed Off-Broadway premiere and inspired the award-winning 2021 film directed by Lin-Manuel Miranda and starring Andrew Garfield.

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Drawing heavily from Larson's own experiences, tick, tick... BOOM! follows Jon, a young composer on the verge of turning 30 as he struggles to complete the musical he hopes will launch his career. Torn between artistic ambition and the pressures of adulthood, he faces questions about love, friendship, financial stability, and purpose. Though set in the early 1990s, the show's exploration of anxiety, ambition, and the fear of falling behind continues to resonate with audiences, making it as relevant today as when it first premiered.

The Brazilian production embraces an intimate staging that places audiences at the heart of Jon's emotional journey. The production combines immersive scenic design, dynamic movement, and live performances from a four-piece band performing Jonathan Larson's energetic score, preserving the emotional immediacy and rock-driven spirit that have become hallmarks of the musical.

Part of the show's enduring appeal lies in the poignancy of Larson's own story. While some may question the universality of a struggling musical theater composer's anxieties, the knowledge that Larson died unexpectedly at just 35 lends extraordinary emotional weight to his work. Like Gypsy, Merrily We Roll Along, and Jersey Boys, tick, tick... BOOM! celebrates the resilience required to pursue artistic dreams despite overwhelming obstacles. More than three decades after its creation, the musical remains a deeply human portrait of ambition, sacrifice, and hope, reaffirming its place among the most moving works in contemporary musical theater.
 

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Camille Dutra, Matheus Boa and Diego Montez star in Play It! Produções' Brazilian staging of tick, tick... BOOM!
photo by Paulo Aragon.

Após uma elogiada temporada no Rio de Janeiro, a Play It! Produções traz a São Paulo sua montagem de tick, tick... BOOM! para uma curta temporada no Teatro Viradalata. Com direção de Luiza Lewicki, Julia Varga e Marcela Pires, direção musical de Caio Loureiro e um elenco formado por Matheus Boa, Camille Dutra e Diego Montez, o espetáculo reafirma a força da obra autobiográfica de Jonathan Larson e entrega uma produção sensível, divertida e profundamente comovente.

Hoje, Jonathan Larson (1960–1996) é lembrado mundialmente por Rent, o musical que revolucionou a Broadway na década de 1990. No entanto, é em tick, tick... BOOM! que conhecemos o homem por trás da obra. Antes de conquistar reconhecimento, Larson apresentou este material durante anos como um espetáculo solo, transformando suas próprias inquietações em música. Cinco anos após sua morte, o dramaturgo David Auburn (Proof) adaptou o texto para três intérpretes, criando a versão que estreou Off-Broadway em 2001, protagonizada por Raul Esparza, e que desde então se tornou um dos musicais mais queridos do repertório contemporâneo. O interesse pela obra ganhou ainda mais força em 2021, quando Lin-Manuel Miranda fez sua estreia como diretor de cinema adaptando o musical para as telas. Estrelado por Andrew Garfield, o filme recebeu duas indicações ao Oscar e rendeu ao ator o Globo de Ouro, apresentando a trajetória de Larson a uma nova geração de espectadores.

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Matheus Boa captures the ambition, humor, and vulnerability
of Jonathan Larson in tick, tick... BOOM!
photo by Paulo Aragon.

Ambientado em 1990, o musical acompanha Jonathan “Jon” (Matheus Boa), um compositor prestes a completar trinta anos que dedica os últimos cinco anos de sua vida ao desenvolvimento de Superbia, projeto ambicioso que nunca chegou a ser produzido, embora parte de seu material tenha sido posteriormente incorporado a tick, tick... BOOM! e Rent. Enquanto trabalha como garçom para sobreviver, Jon observa com certa inveja o sucesso financeiro do melhor amigo Michael (Diego Montez), que abandonou a vida artística para seguir carreira na publicidade, ao mesmo tempo em que vê seu relacionamento com Susan (Camille Dutra) se fragilizar diante do desejo dela de deixar Nova York e buscar uma vida mais tranquila. O "tick-tick" do título representa muito mais do que a passagem do tempo. É a ansiedade de um artista que sente o relógio correr cada vez mais rápido enquanto seus sonhos parecem permanecer no mesmo lugar. Larson constrói um retrato extremamente humano das inseguranças que acompanham qualquer criador: o medo do fracasso, a comparação constante com o sucesso dos outros, a dificuldade de equilibrar carreira, relacionamentos e sobrevivência financeira.

Embora o libreto adaptado por David Auburn tenha uma estrutura episódica e preserve o caráter quase confessional do material original, é na música que Larson revela plenamente sua genialidade. Seu pop-rock pulsante já antecipa muito do estilo que faria de Rent um fenômeno. Ainda que o espetáculo não possua canções imediatamente icônicas como Seasons of Love ou La Vie Bohème, praticamente todos os números contribuem para o desenvolvimento dramático e apresentam melodias envolventes, letras inteligentes e referências claras à influência de Stephen Sondheim. Entre os destaques musicais está Doingo (Sunday), deliciosa homenagem a Sunday in the Park with George, que brinca com a rotina caótica do restaurante onde Jon trabalha. Chega (No More) oferece uma divertida reflexão sobre materialismo. O trio emociona em Tem Que Decidir (Johnny Can't Decide), mas é impossível não destacar dois momentos particularmente marcantes: a emocionante É Assim que Eu Vou Viver (Why), interpretada por Matheus Boa com enorme entrega dramática, e o inspirador encerramento Nossas Ações Vão Falar (Louder Than Words), cuja mensagem permanece tão atual quanto quando foi escrita. As versões brasileiras, assinadas por Bruno Narchi e Thiago Machado — que, ao lado de Giulia Nadruz, protagonizaram a primeira montagem nacional da obra — preservam com habilidade tanto o humor quanto a emoção do texto original, permitindo que as canções soem naturais em português sem perder sua força poética.

Matheus Boa conduz o espetáculo com enorme autenticidade. Existe inclusive uma discreta semelhança física com Jonathan Larson, mas é principalmente sua interpretação que aproxima o público do personagem. Boa constrói um Jon vulnerável, espirituoso e permanentemente dividido entre perseverar em seu sonho ou aceitar uma vida mais convencional. Sua entrega emocional cresce cena após cena até atingir um clímax genuinamente emocionante. Camille Dutra empresta delicadeza e maturidade à Susan, evitando transformá-la apenas na "namorada que quer ir embora". Sua personagem representa a difícil escolha entre amor e estabilidade, e a atriz confere grande humanidade a esse conflito. Vocalmente, também oferece um dos momentos fortes do espetáculo em Abra Seus Olhos. Diego Montez confirma mais uma vez seu enorme talento cômico. Além de interpretar Michael com sensibilidade, diverte o público nos inúmeros personagens secundários que assume ao longo da narrativa. Suas rápidas transformações rendem algumas das maiores gargalhadas da noite, especialmente nas participações como o pai fitness e a agente teatral de Jon, sempre explorando diferentes registros sem perder a unidade da encenação.

Review: tick, tick... BOOM! Moves Audiences by Transforming Jonathan Larson's Own Life Into a Powerful Manifesto on Art, Time, and Hope Image
Jonathan Larson's autobiographical musical celebrates
perseverance, friendship, and the pursuit of artistic dreams.
photo by Paulo Aragon.

A direção de Luiza Lewicki, Julia Varga e Marcela Pires compreende perfeitamente a natureza íntima da obra. Em vez de buscar grandes efeitos visuais, aposta na proximidade entre elenco e plateia, permitindo que a narrativa e as canções ocupem o centro da experiência. O cenário simples de Pugli revela-se extremamente funcional, enquanto a movimentação constante dos três intérpretes mantém o espetáculo dinâmico durante toda a apresentação. Outro mérito da produção está na excelente banda, formada por quatro músicos sob direção musical de Caio Loureiro e regência de Thalyson Rodrigues. O som preserva a energia do pop-rock de Larson sem jamais sobrepor as vozes, criando o equilíbrio ideal entre emoção e intensidade.

À primeira vista, a crise existencial de um compositor prestes a completar trinta anos pode parecer um tema bastante específico. No entanto, tick, tick... BOOM! nunca trata apenas de teatro musical. Trata da angústia universal de sentir o tempo passar enquanto tentamos descobrir se estamos realmente construindo a vida que sonhamos. Conhecer o destino de Jonathan Larson inevitavelmente torna a experiência ainda mais impactante. Poucos anos depois dos acontecimentos retratados na peça, Larson finalmente conquistaria o reconhecimento com Rent, apenas para morrer inesperadamente na noite anterior à primeira prévia oficial do espetáculo, aos 35 anos. Essa realidade transforma cada canção, cada esperança e cada frustração em algo profundamente tocante. No fim, tick, tick... BOOM! fala sobre artistas, mas também sobre qualquer pessoa que já tenha sentido medo de não chegar a tempo aos próprios sonhos. Talvez seja justamente essa combinação de vulnerabilidade, humor e esperança que explique por que, décadas depois de sua criação, a obra continua encontrando novas gerações de espectadores.

A condição de jovens artistas promissores é um assunto infinitamente fascinante para jovens artistas promissores. Se eles cumprem essa promessa, o resto de nós pode, em análise, encontrar esta condição fascinante também. Gypsy, Merrily We Roll Along, e até Jersey Boys nos mostra como os artistas ou criadores de sucesso conseguiram isso apesar das várias adversidades o que só faz despertar ainda mais o nosso interesse sobre abraçar o ideal universal de se agarrar aos seus sonhos através dos desafios mais difíceis da vida. Caso o contrário não haveria o encanto. A montagem da Play It! Produções honra esse legado com inteligência, emoção e excelentes interpretações, oferecendo uma versão brasileira que faz plena justiça a um dos musicais mais pessoais e inspiradores do repertório contemporâneo.

Review: tick, tick... BOOM! Moves Audiences by Transforming Jonathan Larson's Own Life Into a Powerful Manifesto on Art, Time, and Hope Image
A powerful Brazilian production reminds audiences why tick, tick... BOOM! continues to inspire dreamers around the world.
photo by Paulo Aragon.


SERVIÇO:

Temporada: 09 a 19 de julho de 2026
Sessões: Qui e Sex às 20h | Sáb e Dom às 16h e 20h
Ingressos: A partir de R$60
Vendas: Sympla - https://bileto.sympla.com.br/event/121848?share_id=1-copiarlink
Local: Teatro Viradalata 
Endereço: Rua Apinajés, 1387 - Sumaré, São Paulo, SP - CEP: 01258-001 
(Abertura da casa 1h antes do espetáculo) 
Gênero: Teatro Musical
Classificação etária: 16 anos
Duração: 100 minutos 

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7/9 - 7/19/2026

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